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SÃO PAULO - O plano de resgate ao setor financeiro norte-americano promoveu um dia de acentuado ajuste no preço do dólar no mundo todo. Segundo o analista de câmbio da Corretora Liquidez, Mário Paiva, o que explica a perda de valor do dólar é algo bastante simples: a relação de oferta e demanda.

"Com os Estados Unidos colocando mais US$ 700 bilhões em circulação não tem preço que agüente", resume.

Operando em baixa desde o começo do pregão, o dólar comercial encerrou o dia em baixa de 2,12%, negociado a R$ 1,790 na compra e R$ 1,792 na venda.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) a moeda fechou com baixa de 2%, valendo R$ 1,7925. O volume financeiro somou US$ 297,5 milhões, 34% menor do que o registrado na sexta-feira.

Vista como inflacionária, essa enxurrada de dólares que o governo dos EUA está disposto a colocar no mercado leva os investidores a buscar proteção em outros ativos, como euro, libra, iene e também nas commodities.

Sinal claro disso foi o comportamento do petróleo, que subiu mais de US$ 16 na sessão de hoje, retomando o patamar de US$ 120 o barril de WTI. O ganho foi o maior já registrado em um dia desde 1984, quando o contrato começou a ser negociado na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex, na sigla em inglês). O contrato de outubro, que expirou ao final da sessão de hoje, chegou a subir US$ 25 na máxima.

"Na verdade a crise não foi debelada ainda. O momento é de cautela com tudo mundo querendo acredita que o plano de US$ 700 bilhões vai evitar o colapso do sistema financeiro", resume o especialista.

Segundo Paiva, o problema maior continua sendo a falta de confiança entre os agentes do sistema financeiro. "Ainda não dá para saber qual o custo para debelar essa crise."
"(Eduardo Campos | Valor Online)"

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