SÃO PAULO - Pelo segundo pregão consecutivo a moeda norte-americana ganha valor ante o real e firma posição acima de R$ 2,20. Refletindo a instabilidade externa, o dólar comercial fechou o dia valendo R$ 2,223 na compra e R$ 2,225 na venda, alta de 1,50%.

Tal preço é o maior em duas semanas.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) a moeda apresentou valorização de 1,55%, finalizando em R$ 2,224. O giro financeiro ficou em US$ 155,5 milhões, mais de duas vezes maior que o registrado ontem.

Segundo a diretora de câmbio da AGK Corretora de Câmbio, Miriam Tavares, a economia real está dando sinais negativos e isso tem afetado os mercados, dificultando a expectativa de uma recuperação mais sólida no preço dos ativos.

Para entender de jeito simples a formação de preço do dólar, Miriam aponta que basta dar uma olhada no comportamento das bolsas ao redor do mundo e no preço das commodities. Quando as duas variáveis apontam para baixo, evidenciando maior aversão ao risco, a direção do dólar é para cima.

A diretora também lembra que o mercado de dólar físico está pouco movimentado e o que vem fazendo o preço da moeda estrangeira são as apostas feitas no mercado futuro, onde as posições compradas (contra o real) somam mais de US$ 12,75 bilhões.

Segundo Miriam, além da incerteza econômica, outro fator que impede o desmanche dessas apostas contra o real é o conhecimento de que existem muitas empresas com posições vendidas, que terão de zerar essas posições.

Ainda de acordo com a especialista, dólar entre R$ 2,05 a 2,10 só será possível se e quando as commodities e a confiança do investidor se estabilizarem em patamares um pouco melhores, o que parece cada vez mais distante.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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