SÃO PAULO - Depois de três dias seguidos de alta, que levaram o dólar para cima da linha de R$ 1,80, os vendedores voltaram a ditar o rumo do mercado de câmbio. Precificando captações externas e as notícias sobre um reajuste no preço do minério de ferro, a moeda americana teve a maior queda do mês até o momento.

Ao final da jornada, o dólar era negociado a R$ 1,777 na compra e R$ 1,779 na venda, baixa de 1,16%. Essa foi a maior desvalorização percentual diária desde o dia 26 de fevereiro.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda caiu 1,08%, para fechar a R$ 1,7805. O volume caiu subiu 43%, para US$ 83 milhões. Já no interbancário, os negócios subiram de US$ 2,5 bilhões para US$ 3,1 bilhões.

A formação da taxa de câmbio escapou da influência externa, já que o dólar seguiu ganhando valor ante o euro e a libra nesta terça-feira.

O que explica esse descolamento é a percepção entre os agentes de mercado de entrada de recursos externos. Entre mais comentados, estão uma captação de US$ 500 milhões do Banco Espírito Santo (BES) e outros US$ 200 milhões a US$ 300 milhões que teriam como destino a nova oferta de ações da construtora e incorporadora Gafisa.

Esses recursos teriam ingressado já no período da manhã, percepção que ganha respaldo levando em conta que US$ 1,9 bilhão do giro interbancário foi registrado na primeira etapa dos negócios.

Outro fator com influência sobre a formação da taxa foi a notícia publicada no jornal Valor de hoje, apontando que a Vale trabalha com um reajuste de 114% no preço do minério de ferro.

Segundo o diretor da Pioneer Corretora, João Medeiros, como o minério é item de exportação com grande peso na pauta brasileira, esse aumento de preço, desde que confirmado, pode resultar em maiores valores exportados pelo país.

(Eduardo Campos | Valor)

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