SÃO PAULO - O mercado de câmbio local não escapou da forte piora de humor externo nesta terça, que resultou em venda generalizada de ativos de risco e demanda por proteção em dólar em títulos americanos. Mais uma fez, a fonte de incerteza está na Europa, onde perdura a preocupação com uma crise de dívidas soberanas.

Por aqui, os compradores pautaram os negócios desde a abertura e, no final da jornada, o dólar comercial apontava alta de 1,67%, valendo R$ 1,759 na compra e R$ 1,761 na venda. Essa foi a maior alta percentual diária desde 4 de fevereiro, quando a moeda ganhou 2,16%. Curiosamente, nesse mesmo dia a puxada de alta também foi estimulada por desconfiança com a Grécia. Na roda de"pronto"da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar saltou 1,89%, para fechar a R$ 1,762. O volume foi de US$ 101,5 milhões, em linha com o observado ontem. Já no interbancário, o giro estimado ficou em US$ 1,2 bilhão, metade do registrado ontem. Segundo o trader de câmbio da Brascan Gestão de Ativos, Marco Antonio Azevedo, o que o mercado assistiu hoje foi um movimento global de fortalecimento do dólar, que não avançou apenas contra o real. Outras moedas como o dólar canadense e o dólar australiano também tiveram fortes baixas ante a divisa americana. O euro também caiu de forma acentuada, sendo negociado abaixo da linha de US$ 1,30. Menor preço desde abril de 2009. Cabe lembrar que a moeda comum europeia está em tendência de baixa desde dezembro do ano passado, quanto bateu US$ 1,51. Desde então, já perdeu cerca de 14% de valor. Pelo lado doméstico, diz o especialista, essa aversão global a risco pode ter promovido uma zeragem de posições vendidas (apostas pró-real), principalmente entre os investidores estrangeiros. No entanto, só será possível confirmar essa percepção com os dados que serão apresentados amanhã pela BM & F. Além da piora externa, vale lembrar que o Banco Central passou os últimos três pregões recolhendo dólar do mercado duas vezes por dia, o que também pode ter deixado o mercado menos líquido. Hoje, o BC voltou a comprar, mas fez apenas uma operação por volta das 12 horas. Se o problema na Europa continuar, diz Azevedo, não tem como o real escapar de novas baixas."Não é um problema de Brasil. É algo global." Um bom termômetro para medir o grau de aversão a risco é o índice VIX, que capta a volatilidade as opções de ações americanas. O indicador saltou mais de 20%, retomando pontuação não observada desde fevereiro, quando o mercado também teve um pico de instabilidade em função dos problemas fiscais envolvendo países europeus. (Eduardo Campos | Valor)

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