SÃO PAULO - A valorização do dólar começou a dar, em outubro, os primeiros sinais de influência sobre a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que atingiu 0,45% no mês passado, depois de marcar 0,26% em setembro. O principal efeito da moeda americana aconteceu em produtos como arroz e feijão, devido à entressafra e à necessidade de alguma importação.

" Os indícios de influência do dólar aconteceram em produtos como o arroz e o feijão, que estão com safra menor e necessidade de importação, mas não se pode dizer que o dólar foi o principal responsável pelo avanço do IPCA " , frisou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em outubro, o feijão carioca subiu 4,86%, depois de recuar 1,64% em setembro, enquanto o arroz passou de uma baixa de 0,81% para uma elevação de 1,46% no mesmo período. Além do arroz e do feijão, outro produto com colaboração importante para a aceleração do índice foram as carnes, que avançaram 3,61% no mês passado, depois de uma alta de 0,57% em setembro.

Eulina explicou que as carnes apresentam um comportamento semelhante ao observado no ano passado, com alta forte no segundo semestre, período tradicional da entressafra.

" Os pecuaristas seguram o boi no pasto já há algum tempo, já que o boi no pasto é um patrimônio, um ativo seguro em tempos de crise. Ao mesmo tempo, as exportações estão mais convidativas, causando uma tendência de redução da oferta no mercado doméstico " , disse Eulina, lembrando que em 2007 o preço das carnes acelerou até fechar em 22,15%. Esse ano o avanço já chega a 20,43%.

No ano, os alimentos acumulam alta de 10,04%, representado 2,18 ponto percentual dos 5,23% acumulados pelo IPCA entre janeiro e outubro. Eulina lembrou que, para atingir os 10,79% observados pelo grupo em 2007, basta que o resultado de outubro - alta de 0,69% - seja repetido em novembro.

Outro sinal da valorização do dólar foi verificado no vestuário. O grupo subiu 1,27% em outubro, depois de avançar 0,70% em novembro. Eulina lembra que parte dos artigos de vestuário é importada, o que leva a um efeito mais direto da variação cambial.

Apesar do acréscimo acumulado de 6,41% em 12 meses, o que representa o maior patamar desde os 6,57% de julho de 2005, Eulina evitou falar sobre o comportamento do índice até o fim do ano. Segundo ela, entre as pressões para novembro está o reajuste da tarifas da Light a partir de 7 de novembro para parte da região metropolitana do Rio de Janeiro. Sobre o dólar, preferiu afirmar que a confirmação do maior impacto sobre os preços depende da coleta nos próximos meses.

" Como a situação continua, não se estabilizou, há possibilidade de que a alta do atacado se manifeste no varejo, mas essa situação ainda tem que ser verificada em novembro " , ressaltou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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