O dólar comercial segue em forte alta e era negociado no mercado interbancário de câmbio, às 15 horas, a R$ 2,027, alta de 5,68%. É a taxa máxima registrada hoje até este horário.

Na abertura dos negócios, pela manhã, o dólar foi negociado a R$ 1,95. Ontem a moeda havia fechado a sessão a R$ 1,918. Não houve hoje intervenção do Banco Central no câmbio até o meio da tarde.

No mesmo horário, o índice Bovespa ampliava as perdas e caía 8,34% para 45.645 pontos, na mínima do dia. O volume de negócios na Bovespa somava R$ 3,67 bilhões. As ações mais negociadas, Petrobras PN e Vale PNA, perdiam 8,54% e 9,48%, respectivamente. Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones registrava baixa de 2,42% e o Nasdaq caía 3,25%.

A cotação do dólar chegou hoje onde ninguém imaginava até menos de dois meses atrás, quando o pico das estimativas apontavam R$ 1,70. Ultrapassou os R$ 2,00, mesmo depois da esperada aprovação, pelo Senado dos EUA, do pacote remodelado de auxílio aos bancos. O que pesa agora é a incerteza de que a Câmara norte-americana dê seu aval à decisão, depois de ter rejeitado a primeira versão das medidas na última segunda-feira.

A marca de R$ 2,00 por dólar não era vista desde o dia 29 de agosto de 2007. "A cotação está oscilando muito facilmente, não dá para prever tendência", disse um operador de câmbio. A avaliação dele e de outros profissionais de mercado ouvidos é de que a volatilidade da moeda norte-americana hoje está associada principalmente a movimentos especulativos concentrados no mercado de derivativos.

Nos EUA, além das incertezas sobre a posição que a Câmara assumirá em relação ao pacote, crescem os temores com a recessão. Tornou-se consenso entre os analistas que as medidas de apoio ao sistema financeiro evitam o pior dos cenários, mas não serão capazes de brecar um desaquecimento econômico global mais intenso do que se esperava, com castigo maior para os países desenvolvidos, mas significativo também nos emergentes.

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