Ajustes de posições compradas antes da decisão do Banco Central sobre a taxa Selic (juro básico da economia brasileira) pressionaram o mercado de câmbio na última hora de negócios hoje, levando o dólar comercial a trocar o sinal e fechar em leve alta de 0,04% a R$ 2,35. Durante toda a manhã e começo da tarde, a moeda americana foi negociada em baixa - a taxa mínima registrada hoje no mercado interbancário foi de R$ 2,316.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), em contratos de liquidação à vista, o dólar também fechou em leve alta, de 0,09%, a R$ 2,35.

O dado parcial do fluxo cambial, divulgado pelo BC ao meio-dia, que registrou a saída líquida de US$ 676 milhões do País na primeira semana do mês (até o dia 6), também influenciou o mercado de câmbio.

Segundo o economista José Góes, da Win Trade, home broker da Alpes Corretora, a virada seguida de valorização do dólar refletiu o movimento de ajuste do mercado à possibilidade de um corte mais agressivo da taxa Selic. "O mercado já considera 1,5 ponto porcentual um piso para o corte e há apostas em 1,75 ponto e 2 pontos porcentuais. Quanto maior a redução do juro básico, menor será o diferencial de juros interno e externo e os investidores preveem a possibilidade de avanço do dólar", avaliou. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deve anunciar a decisão sobre a taxa Selic no início da noite.

Para o operador de câmbio José Carlos Amado, da Renascença Corretora, o fluxo cambial negativo este mês, as quedas recentes apuradas pela moeda e o próprio recuo das cotações hoje até R$ 2,316 estimularam compras. Segundo ele, há expectativa de uma boa demanda no leilão de amanhã do Banco Central para a concessão de empréstimo em dólar vinculado a operações de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE). A oferta máxima do leilão será de US$ 1 bilhão.

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