SÃO PAULO - Depois de um descolamento na segunda-feira, o dólar passa por um ajuste de alta hoje, com respaldo no aumento da aversão ao risco em âmbito global. Por volta das 11 horas, o dólar comercial subia 0,63%, negociado a R$ 1,754 na compra e R$ 1,756 na venda.

SÃO PAULO - Depois de um descolamento na segunda-feira, o dólar passa por um ajuste de alta hoje, com respaldo no aumento da aversão ao risco em âmbito global. Por volta das 11 horas, o dólar comercial subia 0,63%, negociado a R$ 1,754 na compra e R$ 1,756 na venda. No mercado futuro, o dólar com vencimento para maio, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), avançava 0,42%, também a R$ 1,756. Segundo o analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, a valorização do dólar nesta terça-feira pode ser entendida como um ajuste de técnico depois da acentuada queda ontem, quando a moeda fechou a R$ 1,745, menor preço desde 11 de janeiro."É uma alta pontual. O real deve voltar a se valorizar", resume o especialista. Ainda de acordo com Paiva, a banda de oscilação da moeda mudou. Não é mais de R$ 1,750 a R$ 1,850. De agora em diante, teto e piso ficam em R$ 1,70 com R$ 1,80, respectivamente. Além da expectativa de fluxo, que apenas nesta semana está estimado em mais de US$ 1,5 bilhão em função de captações de bancos, há também a previsão de alta de juros no mercado local. O que, segundo Paiva, também estimula a apreciação da moeda brasileira."É crescente a expectativa de alta de 0,75 ponto percentual na Selic." Completando o quadro, a semana guarda a formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume) que liquidará os contratos futuros de dólar. Os vendidos devem atuar para segurar o preço da moeda americana em baixa visando rentabilidade suas posições. Apenas no pregão de ontem, os investidores estrangeiros venderam 17.051 contratos de dólar futuro, o que equivale a US$ 852 milhões. Com isso, o estoque de posição vendida foi a US$ 5,7 bilhões. Ampliando a análise, Paiva recorda que a desvalorização do dólar é uma questão estrutural. A moeda segue sobreofertada não só no Brasil, mas no mundo todo."Não tem demanda que dê sustentação ao preço da moeda americana." (Eduardo Campos | Valor)
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