SÃO PAULO - A formação da taxa de câmbio está descolada do tom positivo observado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), do aumento no preço das commodities e mesmo do comportamento do dólar no mercado externo, onde a divisa perde valor para o euro e para a libra. Por volta das 12 horas, o dólar comercial apontava leve valorização de 0,05%, a R$ 1,764 na compra e R$ 1,766 na venda. Na máxima, a divisa foi a R$ 1,770.

No mercado futuro, a moeda para abril também ganhava 0,05%, a R$ 1,770.

O gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor Corretora, Rodrigo Nassar, diz que foi perceptível algum fluxo negativo de dólares no pregão de hoje. Além disso, os agentes aguardam a decisão de juros do Federal Reserve (Fed), banco central americano.

O consenso sugere que o colegiado do Fed deve manter a taxa estável entre zero a 0,25% ao ano. Foco no comunicado, que traz a percepção da autoridade monetária sobre inflação e crescimento. Os investidores também buscarão algum sinal quanto à possibilidade de reversão do atual viés de política monetária.

Amanhã, o foco estará voltado para a política monetária local, uma vez que o Comitê de Política Monetária (Copom) apresenta a taxa Selic. Segundo a AGK Corretora de Câmbio, se o Copom aumentar a Selic em 0,5 ponto percentual, de 8,75% a 9,25% agora em março e o cenário externo continuar otimista, com o Fed sinalizando que vai continuar com taxas baixíssimas por um longo período e o plano da Grécia continuar bem aceito, as cotações poderão cair um pouco mais.

No entanto, ressaltou Miram Tavares, diretora da AGK em comunicado, mesmo neste cenário mais otimista, vale lembrar que, se as cotações se aproximarem do patamar de R$ 1,70 de forma mais consistente e duradoura, o Fundo Soberano do Brasil (FSB) deverá se somar ao Banco Central (BC) para comprar os excedentes, o que deverá limitar quedas mais expressivas e consistentes para abaixo desse patamar.

(Eduardo Campos | Valor)

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