Após servir de refúgio para os investidores e operar em alta na maior parte do dia, por causa da perspectiva de recessão nos Estados Unidos e na Europa e da falta de horizonte para o fim da crise financeira global, o dólar fraquejou na última meia hora de negócios no mercado interbancário de câmbio. O dólar comercial fechou em baixa de 0,23% a R$ 2,16, após ter subido 3,42% a R$ 2,239 pela manhã, o que foi a taxa máxima registrada hoje.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado nos contratos de liquidação à vista fechou em baixa de 0,16% a R$ 2,1595. Ontem o dólar havia subido 3%. No acumulado de outubro, o dólar comercial registra valorização de 13,56% - na virada do mês, a moeda ainda era negociada no nível de R$ 1,90.

Se a pressão inicial sobre as cotações do dólar refletiu o pessimismo do mercado com o futuro da economia mundial, a inversão de sinal no fim da sessão ocorreu em meio a um aumento da oferta de moeda por tesourarias de bancos, assegurada pela injeção de liquidez do Banco Central, e a melhora das Bolsas norte-americanas. O índice Dow Jones fechou em alta de 4,68% e o Nasdaq avançou 5,49%, ao passo que o índice Bovespa fechou em baixa de 1,06%.

No mercado global de moedas, a divisa norte-americana também perdeu fôlego ante o euro e algumas divisas da América Latina no fim da tarde. Às 17 horas, o euro reduzia a baixa a 0,07%, cotado a US$ 1,3465, ante mínima de US$ 1,3345. Entre os emergentes na América Latina, por volta das 16h55, o dólar caía em relação ao peso chileno, que foi cotado a 622,40 pesos por dólar, de 626,50 pesos por dólar ontem; no México a moeda norte-americana cedia a 12,8687 pesos por dólar, de 12,8975 pesos por dólar ontem.

Segundo um operador do mercado de câmbio doméstico, as tesourarias de instituições financeiras absorveram os cerca de US$ 1,4 bilhão vendidos pelo BC em dois leilões (sendo US$ 1 bilhão com recompra) e outros US$ 1,8 bilhão em contratos de swap cambial negociados pela autoridade monetária (que assume posição vendida em câmbio e comprada em juros). Esses recursos assegurados pelo BC foram absorvidos pelas instituições financeiras, que ficaram com parte desses recursos em carteira e outra parte repassaram para outros bancos e exportadores, que teriam assegurado um fluxo comercial favorável por meio da antecipação de contratos de exportação, disse um profissional. Diante da maior liquidez e da recuperação dos índices acionários em Wall Street na última hora dos pregões, as cotações à vista do dólar cederam no final, com um giro financeiro mais robusto. No mercado à vista, o volume de negócios foi de US$ 5,3 bilhões, segundo estimativas do mercado.

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