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SÃO PAULO - A sexta-feira foi mais um dia bastante agitado no mercado de câmbio. Depois da disparada de ontem, que obrigou o Banco Central a anunciar intervenção no mercado, a taxa teve a maior baixa diária em mais de seis anos.

O dólar comercial desabou 5,12%, para R$ 1,829 na compra e R$ 1,831 na venda. A baixa é a maior desde o dia 1º de agosto de 2002, quando o dólar afundou 9,22%, seguindo uma sequência de oito altas. Naquela época, o mercado era assombrado pelas eleições presidenciais e os agentes tinham reagido a pesquisas apontando uma melhora na posição do então candidato José Serra. O país também negociava um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Voltando para 2008, apesar da queda acentuada do dólar nos negócios de hoje, a divisa ainda fecha a semana com valorização de 2,8%. No mês de setembro, a alta acumulada está em 11,98%. A moeda também está 3% mais cara se comparada ao começo do ano.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a divisa fechou com baixa de 5,23%, valendo R$ 1,829. O volume financeiro somou US$ 455,75 milhões. O giro interbancário foi de US$ 3,2 bilhões, cerca de 36% menor do que o registrado na quarta-feira.

Segundo o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, a melhora de ambiente externo e o leilão do Banco Central obrigou os investidores a rever suas apostas contra o real no mercado futuro.

Na avaliação de Nehme, o Banco Central agiu corretamente ao atuar no mercado. Apesar de a autoridade monetária dizer que a medida visava dar liquidez no mercado à vista, o leilão pegou em cheio os especuladores, que vinham distorcendo a formação da taxa com apostas compradas na BM & F.

Nehme explica que ao fazer o leilão com compromisso de recompra, o BC trouxe a formação da taxa de volta para o mercado à vista, onde os agentes tiveram que aceitar o valor de venda do BC. Segundo Nehme, essa taxa, agora, passa a ser novo teto do mercado.

O BC fez duas operações hoje vendendo no mercado US$ 500 milhões, sendo US$ 200 milhões a R$ 1,838 e R$ 300 milhões a R$ 1,827. A operação será liquidada dia 23 de setembro, e as recompras aconteceram em 23 de outubro.

Para o especialista, o viés da taxa agora é de baixa e tal movimento pode ganhar força se o BC optar por não renovar as linhas de swap cambial reverso.

Avaliando a decisão dos Estados Unidos de criar uma agência para administrar os créditos podres e ativos ilíquidos dos bancos, Nehme afirma que esse é um movimento agressivo, mas que vai na raiz do problema.

Para Nehme, embora tenha um custo elevado, o Tesouro dos EUA não deve ficar só com a parte podre. Certamente terá um acerto de contas com a venda dos ativos. "Mas o importante é que esses 'esqueletos' não ficam mais atrapalhando a atividade do mercado."
"(Eduardo Campos | Valor Online)"