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Dólar leva contas externas a déficit

A disparada do dólar já começou a produzir ajustes nas contas externas, como a queda nas remessas de lucros e dividendos ao exterior e no déficit mensal de transações correntes. Porém, pela primeira vez desde junho de 2006 (quando apresentou resultado negativo de US$ 614 milhões), o País apresentou déficit mensal no balanço de pagamentos.

Agência Estado |

A diferença entre o total de dólares que deixou o Brasil e o que entrou somou US$ 8,6 bilhões em outubro, segundo boletim divulgado ontem pelo Banco Central.

O balanço de pagamentos é constituído de duas subcontas principais: a corrente, que reflete os fluxos de divisas envolvendo transações com o exterior, como exportação e importação e pagamento e recebimento de rendas; e a de capital, formada pelos fluxos financeiros de investimento, ou seja, pelos dólares que os estrangeiros aplicam ou retiram do Brasil e o que os brasileiros enviam ao exterior.

Em outubro, ambas as contas foram deficitárias. Entretanto, enquanto o déficit da conta de capitais cresceu para US$ 8,2 bilhões, o da conta corrente caiu de US$ 2,76 bilhões, em setembro, para US$ 1,5 bilhão no mês passado, refletindo, segundo o BC, a alta do dólar nas últimas semanas.

A conta corrente já vinha sendo deficitária desde outubro do ano passado, primeiro por causa da queda nas exportações e alta das importações e mais recentemente pela crise global. Um dos primeiros reflexos da falta de liquidez internacional foi a decisão das multinacionais, principalmente americanas, de resgatar os lucros no Brasil para cobrir os prejuízos nos Estados Unidos.

Até setembro, as remessas de lucros e dividendos haviam somado R$ 35 bilhões em 12 meses - quase US$ 3 bilhões por mês. Um fator adicional foi a supervalorização do real até aquele mês. Ao converter lucros em reais para dólares, as empresas estrangeiras obtiveram muito mais do que se tivessem esperado para fazer isso agora.

Com a súbita desvalorização da moeda brasileira a partir de setembro e o fim dos estoques de lucros, a remessa caiu para US$ 1,5 bilhão em outubro e, em novembro, soma R$ 1,23 bilhão até o dia 24. Ou seja, o fluxo em 12 meses começou a cair, contribuindo para estabilizar o déficit em transações correntes em torno de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Outro fluxo atingido em cheio pela alta do dólar, que ajudou a reduzir o déficit em conta corrente, é o das viagens internacionais. Em outubro, os brasileiros gastaram no exterior US$ 774 milhões, ante US$ 915 milhões no mesmo mês de 2007 e US$ 1,1 bilhão em setembro.

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