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O dólar comercial fechou em forte alta hoje, de 5,62%, cotado a R$ 2,236 no mercado interbancário de câmbio. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista avançou 4,98%, também a R$ 2,236.

Hoje, o Banco Central realizou três leilões no mercado doméstico de câmbio, mas, mesmo assim, não conseguiu conter o forte avanço da moeda americana, que disparou com a pressão externa do dólar ante as principais moedas estrangeiras. O Banco Central vendeu US$ 500,1 milhões em swap cambial e cerca de US$ 300 milhões em dois leilões de venda direta de dólar à tarde. Nestes dois últimos, o BC teria negociado cerca de US$ 100 milhões na primeira operação, cuja taxa de corte foi de R$ 2,2320, e mais cerca de US$ 220 milhões no segundo leilão, que teve taxa de corte de R$ 2,230. A autoridade também negociou US$ 500,1 milhões equivalentes à oferta integral de 10 mil contratos de swap cambial, com vencimento em 1º de dezembro deste ano. Nestas operações, o BC assume posição vendida em dólar e comprada em taxa de juros.

Segundo um operador, a forte demanda no mercado de câmbio doméstico refletiu, em boa medida, a cautela dos investidores com o cenário externo. Parte da pressão sobre o dólar derivou ainda da necessidade de algumas instituições financeiras comprarem moeda à vista, em um montante de pelo menos US$ 500 milhões, para devolverem ao BC na quinta-feira (dia 23), quando será feita a liquidação do primeiro leilão de venda com recompra, feito em 19 de setembro. Por essas razões, afirmou a fonte, o dólar no mercado à vista iniciou a tarde ampliando os ganhos exibidos desde a abertura.

No exterior, o dólar voltou a ganhar força ante o euro e a libra esterlina, entre outras moedas européias, em meio às quedas das matérias-primas (commodities) e das bolsas, nova injeção de liquidez no sistema financeiro por bancos centrais europeus e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e a perspectiva de liquidação de contratos de swap de proteção ao risco de crédito (CDS, na sigla em inglês) do Lehman Brothers, prevista para hoje.

No Brasil, o BC informou à tarde que aumentou o prazo para que bancos repassem dólares adquiridos nos leilões destinados ao financiamento do comércio exterior. Segundo o BC, o prazo limite para a entrega da moeda americana às empresas que necessitam de crédito para essas operações foi triplicado, de 10 dias úteis para 30 dias úteis. Até agora, O BC realizou apenas um leilão desse tipo, ontem, em que foram emprestados US$ 1,620 bilhão para quatro instituições financeiras, de uma oferta de até US$ 2 bilhões. A transação foi realizada mediante entrega de títulos soberanos do governo brasileiro (Global Bonds) como garantia na proporção de 105% do valor tomado. Bancos que emprestaram o recurso terão de pagar taxa de 0,11% acima da taxa de empréstimo interbancário em Londres, a Libor, cuja taxa considerada foi de 4,13%.

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