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SÃO PAULO - A moeda norte-americana começou a semana em alta contra o real, mas fecha o pregão longe da máxima do dia. As compras, que chegaram a levar a taxa a R$ 2,371, perderam força conforme as bolsas passaram a ensaiar alta aqui e em Nova York. No final desta segunda-feira, o dólar fechou cotado a R$ 2,328, valorização de 0,61%. O giro financeiro somou US$ 176,75 milhões, montante mais de duas vezes maior que o observado na sexta-feira (30). O dólar registrou sua terceira alta seguida ante o real.

Para o gerente da mesa de câmbio do Banco Prosper, Jorge Knauer, a taxa de câmbio refletiu exatamente o humo externo, que esteve muito ruim no começo dia, quando o dólar marcou as máximas, e melhorou um pouco no decorrer da tarde.

Ainda de acordo com o especialista, o leilão do BC, que colocou moeda a R$ 2,325 no final da tarde, também ajudou a segurar o preço da moeda. Knauer avalia que o mercado de câmbio oscila mais em torno do humor externo do que apoiado em fundamentos.

Já no médio e longo prazo o que acontece no mercado futuro é fundamental para definir a trajetória de preço da moeda. O comportamento do dólar muda conforme o posicionamento dos grandes investidores, entre eles os fundos estrangeiros, que seguem com uma elevada posição comprada (aposta contra o real) na BM & F.

E quem tem essa posição, lembra Knauer, trabalha para que o dólar avance, para não sofrer ajustes negativos. Portanto, enquanto essa posição comprada não cair, o preço do dólar também não recuará de forma consistente.

Bolsa de Valores

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, zerou nesta tarde as perdas do dia, inverteu o sinal e passou a oscilar, ajudado pela valorização das ações da Vale e pela melhora de desempenho dos papéis da Petrobras. A mudança de sinal no mercado acionário de Nova York também colaborou.

Por volta das 16h30, o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, registrava queda de 0,39%, aos 39.129 pontos.

Para o economista da Infra Asset Management, Fausto Gouveia, o mercado reflete a queda nos preços das commodities e a incerteza quanto à aprovação do plano de estímulo econômico do presidente americano Barack Obama pelo Senado. Além disso, lembra o especialista, os resultados trimestrais não contribuem para a melhoria de humor.

"De concreto não temos mudança da economia real. As incertezas perduram e derrubam o mercado. Os agentes ainda esperam um fato ou um número que mostre uma mudança nesse ambiente de crise", resume o especialista.

Gouveia acrescenta que uma possível retomada nas compras passa por uma solução para o setor financeiro norte-americano, que segue envolto em desconfiança. Para o economista, a criação de uma instituição que concentrasse os créditos podres ajudaria a descobrir o tamanho real do problema, o que diminuiria a incerteza sobre a saúde das instituições.

(Com informações do Valor Online)