SÃO PAULO - Repetindo o movimento observado em outros dias de forte pessimismo externo, os investidores foram buscar proteção em moeda estrangeira. Com isso, o dólar comercial fechou o dia 1,7% mais caro, negociado a R$ 2,39 na e na R$ 2,392 preço não registrado desde dezembro do ano passado.

Com quatro dias de alta em cinco, a moeda fechou a semana acumulando valorização de 5,65%. No mês o ganho é de 3,19%, e no ano está em 2,4%.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda também ganhou 1,70%, para R$ 2,391. O giro financeiro somou US$ 152,75 milhões, cerca de metade do observado ontem. Também saíram negócios com dólar para liquidação em D+1, a moeda ficou em R$ 2,3735, baixa de 0,23%, movimentando US$ 100 milhões.

Mesmo com o dólar passando de R$ 2,4 na máxima do dia, o Banco Central seguiu fora do mercado à vista, o que para alguns agentes mostra que o problema não é falta de liquidez no mercado. A autoridade monetária anunciou, no entanto, que na quinta-feira, dia 26, fará leilão de linha (venda com compromisso de recompra).

Segundo o operador de mesa da Hencorp Commcor Corretora, João Paulo Carvalho, a formação da taxa de câmbio seguiu lado a lado o pessimismo do mercado externo, onde os rumores com nacionalização de bancos segurou o Dow Jones em mínimas não observadas em mais de seis anos e o S & P 500 abaixo dos 800 pontos.

O gerente da mesa de câmbio do Banco Prosper, Jorge Knauer, avalia que além do mau humor externo, que eleva a aversão ao risco e naturalmente chama mais compra de dólar, o aumento de preço também reflete um movimento de caráter especulativo contra o real no mercado futuro.

Os grandes investidores estrangeiros que vêm carregando posições compradas (apostas contra o real) se aproveitam do cenário para puxar a taxa e rentabilizar suas posições.

O que evidencia esse componente especulativo contra a moeda, segundo Knauer, é que os fundamentos do mercado não são ruins. O fluxo cambial está positivo, as remessas de lucros caíram acentuadamente, e o Banco Central está ativo na promoção de linhas externas para o comércio externo, o que garante entrada de divisa via conta comercial. "Temos uma indicação de que a tendência seria de queda ou estabilização do preço abaixo de R$ 2,30", avalia o gerente do Prosper.

No entanto, segundo ele, há uma resistência desses grandes agentes em desmanchar suas posições contra o real, pois isso significaria abrir mão de parte dos ganhos acumulados.

"Infelizmente essa instabilidade deve perdurar por mais algum tempo, pois tem um resultado grande em jogo, caso o dólar venha para baixo", resume.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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