SÃO PAULO - A formação da taxa de câmbio espelhou a instabilidade do mercado externo e, depois de ganhos e perdas, o dólar fechou a sexta-feira praticamente estável contra o real. No entanto, a divisa fecha a semana acumulando perda de 3,16%, maior baixa semanal já registrada em 2009.

Depois de cair a R$ 2,278 na mínima, o dólar recuperou valor encerrando a R$ 2,298 na compra e na R$ 2,30 na venda, leve baixa de 0,04 %. No mês de março, a moeda aponta desvalorização de 2,95% e no ano a queda é de 1,45%.

Já na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda fechou com leve alta 0,04%, também a R$ 2,30. O volume financeiro somou US$ 213,5 milhões. O giro interbancário voltou a cair, somando US$ 1,4 bilhão, menos da metade do observado ontem.

O diretor de operações da Levycan, Johnny Kneese, avalia que os pontos importantes da semana, que ajudam a explicar a queda no preço da moeda, foram o leilão de linha para financiamento das exportações feito ontem pelo BC, que colocou US$ 1 bilhão nos bancos, e as notícias positivas envolvendo o mercado externo, que reduziram o pessimismo e a aversão ao risco.

No entanto, o especialista acredita que o dólar não teria muito espaço para cair além de R$ 2,30. Segundo Kneese, este seria o novo preço de equilíbrio da moeda, considerando a perda de poder de compra do dólar no mundo todo e a migração de reservas antes montadas em dólares para outras moedas.

Ainda de acordo com o especialista, a redução da taxa básica de juros brasileira não tem influência sobre o fluxo de divisas sobre o país. " A questão ainda é falta de dinheiro no mercado externo " , resume, lembrando que o Brasil, além de oferecer boa oportunidade de ganho, tem liquidez suficiente para permitir fácil entrada e saída de recursos.

Na quarta-feira, o Banco Central cortou a taxa básica de 12,75%, para 11,25% ano, e o mercado futuro já projeta Selic em torno de 10% no final do ano.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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