O Banco Central injetou novamente recursos no mercado de câmbio e a cotação do dólar aprofundou a queda iniciada ontem, apesar da persistente crise de confiança nos mercados financeiros globais. Com as medidas adotadas pelo governo e o BC brasileiro para garantir socorro a bancos e exportadores com eventuais dificuldades de crédito e a continuidade dos leilões de venda da moeda americana e de contratos de swap cambial, a autoridade monetária garantiu a permanência do dólar em baixa durante toda a sessão.

O dólar comercial terminou o dia em queda de 4,82%, cotado a R$ 2,17. Na BM&F, o dólar negociado à vista encerrou valendo R$ 2,197, com depreciação de 3,64%. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 3,828 bilhões.

"O mercado está olhando para todos os lados, sabe que ainda há muito problema, mas também avalia que há um esforço conjunto de governos e bancos centrais ao redor do mundo e no Brasil para tentar conter a crise financeira a fim de minimizar o impacto do aperto de crédito para as empresas e exportadores. Um, dois, três dias de trégua parecem necessários para dar tempo ao mercado para absorver as medidas, observar os efeitos e avaliar os fundamentos econômicos do País", disse um operador para justificar a oscilação a queda da moeda americana hoje.

Contudo, com a piora das bolsas norte-americanas no fim da tarde, alguns operadores do mercado cambial já consideravam a possibilidade de o dólar subir amanhã. Nos mercados internacionais de moedas, o dólar intercalou altas e quedas em relação ao euro e o iene durante a tarde, mas acentuou os ganhos ante o euro em sintonia com a aceleração das perdas nas bolsas. "O mercado segue preocupado com o impacto que o aperto de crédito global está tendo na desaceleração da economia e sobre as companhias que estão no centro da crise, como o setor financeiro e as montadoras", comentou um analista.

Aqui, a exemplo de ontem, o BC brasileiro garantiu uma trégua ao mercado cambial. Fez dois leilões de venda de moeda, com taxa de corte levemente abaixo dos valores praticados no mercado à vista, e uma oferta de swap cambial de US$ 911 milhões (operação em que o BC assume posição vendida em dólar e comprada em juros). Operadores do mercado estimaram que o BC pode ter vendido em mercado nos dois leilões cerca de US$ 350 milhões, bem menos do que os cerca de US$ 1,3 bilhão que teriam sido negociados ontem. No segundo leilão de hoje, à tarde, o Banco Central fixou a taxa de corte em R$ 2,168 e, no primeiro, de R$ 2,1710, logo após a abertura dos negócios da manhã.

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