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Dólar fecha a R$ 1,93 e BC anuncia mudança de ação

O dólar disparou hoje, reflexo de mais um capítulo da falta de vendedores no mercado interbancário de câmbio. Na taxa máxima do dia, chegou a ser negociado a R$ 1,962, o que significou uma valorização de 5,03%.

Agência Estado |

Nesse cenário, o Banco Central decidiu intervir e, de Nova York, o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, anunciou a decisão de promover leilões de venda de dólares conjugados com compra futura. A ação visa a corrigir distorções de liquidez no mercado.

No fim da sessão do mercado interbancário, o dólar comercial reduziu a alta a 3,32% e fechou a R$ 1,93 - o maior valor desde 19 de julho de 2007. Na taxa mínima do dia, a moeda registrou R$ 1,867. Com a elevação de hoje, o dólar registra ganho acumulado de 18,19% no mês de setembro.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar dos contratos de liquidação à vista subiu 3,71% e fechou a R$ 1,93. Na máxima, chegou a R$ 1,9605 e na mínima, a R$ 1,8709. De acordo com informações do mercado, o volume de negócios somava US$ 5,5 bilhões.

De acordo com operadores, os vendedores permaneceram ausentes e a falta de oferta de linhas de câmbio por parte dos bancos levou os clientes a buscarem dólar "físico", pressionando as cotações no segmento à vista, onde a liquidez (não necessariamente o volume transacionado) segue apertada. Nesse contexto, foi bem recebida a ação do BC, que, combinada com a melhora expressiva dos mercados acionários em Nova York e no Brasil, ajudou a abrandar a forte valorização da moeda americana nas operações domésticas.

"A ação do BC é uma notícia positiva porque com tal operação ele dá liquidez ao mercado", afirmou o economista-sênior do Santander, Maurício Molan. Ele acrescenta que, neste momento de forte desmonte de posições de investimento para gerar caixa, sem focar em fundamentos, a única fonte que pode interromper esse círculo vicioso é a ação de uma entidade que costuma ficar de fora do mercado, como o governo. "Isso traz alguma racionalidade", avalia. "O mercado precisava disso", reforça o estrategista-chefe de um banco estrangeiro em São Paulo, que classificou a atitude do BC como "muito boa". Ele ponderou, contudo, que, embora traga "algum equilíbrio", "alguma normalidade", mas não blinda o mercado da atual crise.

Na entrevista, em Nova York, Meirelles disse que os detalhes sobre os leilões serão divulgados ainda hoje. Ele afirmou que "a liquidez continua normal em reais, com bom funcionamento da economia brasileira". "Agora, existe, não há dúvida, uma questão de liquidez em dólar nos EUA, que é o grande provedor de dólares, e isso se reflete nas linhas interbancárias de dólares", admitiu. "Em função disso, o BC reagiu e tomou a decisão hoje de promover leilões de venda de dólares conjugados com compra futura. Isto é, o BC vai prover liquidez", explicou. Ele disse que a crise internacional é "séria e não está debelada".

Até a quarta-feira da semana passada, o Banco Central vinha atuando diariamente como comprador de dólares no mercado. No último leilão de compra, a taxa de corte das propostas foi de R$ 1,7812.

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