SÃO PAULO (Reuters) - A maior fabricante de papéis para embalagens do Brasil, Klabin, registrou uma melhora operacional no quarto trimestre do ano passado, mas seu resultado final recuou para o vermelho diante da desvalorização de 22 por cento do real frente ao dólar no período. Como resultado da brusca variação do câmbio, a companhia incorreu em uma perda contábil de variação cambial líquida de 477 milhões de reais, o que empurrou a linha final do balanço do quarto trimestre para um prejuízo de 314 milhões de reais após perda de 256 milhões de reais no período de julho a setembro.

Nos três últimos meses de 2007, a companhia teve um lucro líquido de 53 milhões de reais, já ajustado pela vigência de nova legislação contábil que entrou em vigor no final do ano passado.

A companhia teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de 242 milhões de reais, mais que o dobro do resultado do quarto trimestre de 2007, quando havia sido de 108 milhões de reais. A margem saltou de 16 para 30 por cento no período.

Porém, se forem excluídos os ajustes das novas regras contábeis, a melhora do desempenho foi menos intensa, mas ainda sim expressiva: ganho de 45 por cento no Ebitda, enquanto a margem aumentou quatro pontos para 25 por cento.

A empresa encerrou 2008 com um prejuízo de 349 milhões de reais revertendo ganho de 604 milhões de reais de 2007.

"A crise internacional afetou a demanda de papéis, que apresentou queda nos últimos meses do ano em todas as regiões. No Brasil a queda de demanda no quarto trimestre foi constatada nos segmentos de papelão ondulado, com números da Associação Brasileira do Papelão Ondulado indicando que dezembro apresentou o pior volume de vendas desde fevereiro de 2005", informa a Klabin no balanço.

Apesar disso, a receita líquida nos três últimos meses do ano passado somou 806 milhões de reais, crescendo 21 por cento sobre o faturamento obtido um ano antes e cinco por cento na comparação com o terceiro trimestre.

Com fechamento de capacidades no exterior e maior competividade trazida pela desvalorização do real, a Klabin aumentou seu percentual de exportações para 35 por cento ante 23 por cento no quarto trimestre de 2007 e no terceiro trimestre de 2008.

Em volume, as vendas de outubro a dezembro cresceram 15 por cento sobre o registrado um ano antes, para 393 mil toneladas.

A Klabin encerrou 2008 com posição de caixa de 1,7 bilhão de reais.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.