Patinho feio entre os investimentos desde fins de 2002, quando começou a cair sem parar, o dólar liderou o ranking de rentabilidade entre as aplicações financeiras de agosto no Brasil. A moeda norte-americana subiu 4,55%, na esteira de um movimento internacional de recuperação.

Desde meados de julho a cotação do dólar em relação a outras moedas vem subindo, influenciada por uma visão mais otimista frente à economia dos Estados Unidos e mais pessimista diante de outras, como as de alguns países europeus.

O bom resultado de agosto fez o dólar saltar do último para o sexto lugar entre as rentabilidades acumuladas no País neste ano, de acordo com ranking elaborado pelo administrador de investimentos Fábio Colombo. A moeda americana ultrapassou o euro, o ouro e o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo. Mas a melhora não é sinônimo de boa notícia para quem investiu no início do ano, pois o dólar ainda sofre com as perdas de 8% desde janeiro. "O dólar teve um ótimo resultado no mês", reforça Colombo. "É uma opção para diversificação de portfólio, como uma forma de seguro, para investidores com perfil conservador e moderado e visão de longo prazo", sugere.

Para os pequenos investidores, no entanto, as opiniões divergem. "Não recomendo que pessoas físicas invistam em dólar, seja por meio de fundos cambiais ou comprando a moeda em espécie", diz o professor de finanças William Eid Júnior, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele aconselha a aplicação, em último caso, apenas para quem tenha, dívidas para quitar na moeda norte-americana no futuro. "É só uma alternativa de proteção. Trabalhar com moedas exige um conhecimento técnico muito superior ao necessário para fazer outros investimentos."

Títulos

Os títulos públicos indexados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como as Notas do Tesouro Nacional - série B (NTN-B), vendidas no Tesouro Direto e os fundos DI foram o segundo investimento mais vantajoso do mês, com rentabilidade equivalente a um quarto da conseguida pelo dólar. Seguidos pelos fundos de renda fixa, que registraram retorno de até 1,05% em agosto, os DI se destacam como boas opções de aplicação, reforça Colombo. "Eles não correm o risco da oscilação dos juros", lembra o administrador, pois são formados basicamente por títulos públicos pós-fixados, atrelados à variação da taxa básica, a Selic. "Com o recuo da inflação, os juros reais (descontada a inflação) devem ficar bem atraentes nos próximos meses."

Bolsa

Já o investimento em ações se mostrou o pior em rentabilidade pelo segundo mês consecutivo. O Ibovespa registrou queda de 6,43% em agosto, um ponto porcentual maior que o recuo do ouro, de 5,38%, a segunda pior aplicação. O índice sofre com a volatilidade, a queda dos preços internacionais das matérias-primas (commodities) e a fuga de investidores, o que vem fazendo o volume negociado na Bolsa diminuir. Na última segunda-feira, foram negociados apenas R$ 2,581 bilhões no mercado de ações paulista, o menor giro do ano, bem abaixo da média diária de R$ 5,6 bilhões de julho.

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