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Dólar dispara e BC retoma venda

A crise de confiança que fez secar os empréstimos entre bancos nos Estados Unidos e na Europa nos últimos dias contaminou ontem o mercado de câmbio no Brasil. O dólar disparou e chegou a R$ 1,96, o que levou o Banco Central (BC) a anunciar a retomada dos leilões de venda da moeda americana.

Agência Estado |

A informação reduziu um pouco a tensão e o dólar encerrou o dia valendo R$ 1,93. O primeiro leilão será realizado pelo BC hoje de manhã e pode chegar a US$ 500 milhões.

A operação será do tipo "conjugada", em que bancos compram dólares com o compromisso de revendê-los em montante idêntico ao BC em um prazo preestabelecido. Em nota divulgada ontem à noite, a instituição afirma que a decisão de retomar os leilões de venda de dólares é "de caráter temporário".

A nota do BC diz, ainda, que os leilões não têm o objetivo de influenciar a taxa de câmbio. A instituição reforçou a explicação dada em Nova York pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, de que "não existe meta para a taxa cambial, seja com fixação de tetos ou pisos".

A última vez em que o BC vendeu dólares foi em 27 de fevereiro de 2003, após um longo período de nervosismo eleitoral, que provocou nos investidores o temor de que a política econômica mudasse radicalmente com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência. Naquele leilão, o mercado comprou US$ 92 milhões do BC com taxa de R$ 3,65, quase o dobro do valor atual.

Segundo analistas, a total falta de liquidez no mercado internacional praticamente impediu a renovação de linhas de financiamento concedidas a empresas brasileiras nos últimos dias. Com isso, as companhias são obrigadas a liquidar os empréstimos. "Elas vão ao mercado à vista para comprar moeda e, assim, cumprir seus compromissos", explicou o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel. "A alternativa é renovar o crédito, mas com uma taxa de juros muito mais alta."

De acordo com ele, esse movimento elevou para mais de US$ 5 bilhões o montante de dólar negociado no mercado brasileiro ontem. "Em dias normais, o volume varia de US$ 1,5 bilhão a US$ 2,5 bilhões", disse Battistel.

O economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo Bartolomei da Silveira, acrescentou que a liquidação de posições de investidores estrangeiros no Brasil também tem contribuído para pressionar a taxa de câmbio nas últimas semanas - em setembro, o dólar já acumula valorização de 18,19% e, no ano, de 8,73%. "Eles vendem aqui para cobrir prejuízos lá fora", observou.

Para a maioria dos especialistas, o BC acertou ao retomar os leilões de venda da moeda americana. "Nos momentos em que falta liquidez, é preciso ter alguém em condição de pôr o mercado para funcionar", disse o ex-diretor do BC, Alexandre Schwartsman.

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