Por Silvio Cascione SÃO PAULO (Reuters) - A venda de dólares pelo Banco Central devolveu o mercado à normalidade nesta sexta-feira, permitindo que a moeda norte-americana acompanhasse a euforia internacional com um plano dos Estados Unidos contra a crise financeira.

O dólar caiu 4,74 por cento, para 1,830 real. Foi a maior queda percentual diária desde 1o de agosto de 2002.

Apesar do tombo, a divisa ainda terminou a semana com alta de 2,75 por cento --na quinta-feira, o dólar chegou a ser cotado a 1,96 real.

Segundo operadores, a disparada do dólar havia ocorrido pela escassez de crédito em moeda estrangeira após dias de incerteza no exterior e de especulação contra o real na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Os leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, realizados pela primeira vez desde fevereiro de 2003, ajudaram a restaurar a liquidez.

Foram feitos dois leilões nesta sexta-feira. No primeiro, entre 11h30 e 12h, o Banco Central vendeu 200 milhões de dólares de uma oferta total de 500 milhões de dólares, com compromisso de recompra em 30 dias corridos. No segundo, entre 15h e 15h30, foram vendidos os 300 milhões de dólares restantes.

Menos pressionado, o mercado pôde prestar atenção às notícias do exterior. 'O mercado de câmbio está refletindo a melhora do cenário externo', disse Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento.

A discussão de um plano abrangente contra a crise financeira, anunciada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, fez as bolsas de valores dispararem e o risco Brasil mergulhar quase 60 pontos-básicos, para a faixa de 280 pontos.

CAUTELA

Em outros países emergentes, como México e África do Sul, as moedas locais também saltaram frente ao dólar.

Mas a reação no Brasil foi mais forte que em outros lugares. A BM&F chegou a ampliar o limite de variação do dólar futuro depois que a cotação do contrato para outubro atingiu o piso definido no início do dia.

Até quinta-feira, os estrangeiros exibiam quase 7 bilhões de dólares em posições compradas em derivativos cambiais, o que equivale a uma aposta na alta do dólar diante do real.

O sentimento, no entanto, é de cautela para a próxima semana.

Apesar de ver espaço para uma queda maior do dólar, Roberto Padovani, estrategista sênior de investimentos para a América Latina do banco WestLB do Brasil, avalia que a taxa de câmbio ainda 'vai ter um prêmio de incerteza'.

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