SÃO PAULO - Depois da disparada de mais de 6% na sessão de ontem, o dólar comercial passou por uma acentuada correção de baixa ante o real hoje, mas ainda assim fecha o mês valendo mais de R$ 1,90. Ao final do pregão, o dólar era negociado a R$ 1,902 na compra e R$ 1,904 na venda, queda de 3,15%. No entanto, a moeda encerra o mês com alta de 16,45%.

Esse foi o maior ganho mensal desde setembro de 2002, quando a divisa ganhou 24,92%. No terceiro trimestre, a valorização acumulada foi de 19,22%. Desde o começo do ano, o dólar ganhou 7,15% ante o real.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) a moeda também apresentou perda de 3,15%, para R$ 1,904. O volume financeiro somou US$ 676 milhões, quatro vezes menor do que o observado ontem. O giro interbancário ficou em US$ 3,8 bilhões.

Segundo operador de mercado que prefere não se identificar, passado o pânico de ontem, o pregão foi mais calmo, com os investidores revendo posições.

Cabe apontar também que a baixa do dólar ante o real destoa do comportamento do dólar perante outras moedas. A divisa subiu cerca de 2% sobre o euro e a libra.

Tal comportamento, segundo o especialista, reforça a visão de que boa parte da alta de ontem reflete a formação de posições compradas (apostas de alta do dólar) e não, necessariamente, uma escassez de moeda no mercado. "Definitivamente hoje o pessoal desfez posição comprada."
O operador destaca que o foco segue voltado para o mercado externo e que a formação de preço da moeda está diretamente ligada ao tom do noticiário. Hoje, as sinalizações foram positivas, com a expectativa de que um novo plano de resgate ao setor financeiro será aprovado pelos congressistas norte-americanos.

"O problema é que o momento nos EUA é político. Os congressistas estão querendo faturar em cima da crise. O acordo sobre o plano vai sair, só não se sabe quando", resume o especialista.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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