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O dólar fechou em alta em relação ao real pela sétima sessão consecutiva, destoando do comportamento da moeda americana ante outras divisas, como o euro. No Brasil, o dólar ensaiou queda pela manhã, reagindo ao fluxo positivo de recursos ao País, mas depois retomou a alta.

"Com a continuidade do recuo dos preços das commodities (matérias-primas), principalmente do petróleo, diante do receio com a demanda por causa da percepção de que a desaceleração dos Estados Unidos estaria se espalhando para outros países desenvolvidos, os investidores seguem apostando em taxas de câmbio mais pressionadas", justificou um operador.

Assim, o dólar comercial terminou o dia em alta de 0,50%, cotado a R$ 1,624. O resultado ampliou a valorização acumulada este mês para 3,97% e reduziu as perdas no ano para 8,51%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o dólar negociado à vista subiu 0,68%, para R$ 1,625. O giro financeiro total à vista encolheu 14%, para cerca de US$ 2,922 bilhões.

Em Nova York, por volta das 16h38 (de Brasília), o índice acionário Dow Jones perdia 1,51%. Nesse horário, a Bovespa testava as mínimas do dia, com queda de 0,67%. Já o euro subia 0,24%, a US$ 1,4922, enquanto o dólar perdia 0,73% ante a moeda japonesa, cotado a 109,34 ienes. Os índices acionários em Nova York foram pressionadas pelo declínio das ações do setor financeiro. Na Bolsa Mercantil de Nova York, o petróleo caiu 1,26%, para US$ 113,01 por barril.

Para o economista-chefe da CM Capital Markets, Tony Volpon, a queda dos preços das commodities deve continuar e isso deve pressionar mais o real. Em entrevista à Agência Estado , Volpon afirmou que "a queda das commodities é uma tendência e não acidente de percurso. O real até que se mexeu pouco nas últimas semanas, a alta do dólar não foi exagerada, mas isso porque o mercado não tomou consciência". Segundo ele, quando o mercado tomar consciência de que a alta do dólar não é temporária, poderá haver forte demanda por hedge (proteção). "A tendência é de desvalorização do real. O dólar pode ir para R$ 1,75 este ano, mas o mais importante é 2009 e não me surpreenderia se o câmbio chegasse até R$ 2,00 no fim do ano que vem", disse.

A queda das commodities, ressaltou Volpon, não só tem impacto no câmbio, na inflação e na balança comercial. O real mais fraco deve afetar negativamente o investimento direto e a Bovespa. "A bolsa ainda vai sofrer mais o impacto negativo da queda das commodities se ela continuar", comentou. De qualquer modo, Volpon acredita que o Banco Central não irá mudar sua atuação no câmbio e deve prosseguir com as compras no mercado à vista. "Não deve haver mudança imediata da atuação do BC", disse. O BC realiza habitualmente uma intervenção diária no mercado cambial, com leilão de compra de dólares.

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