O dólar comercial sustentou-se em alta pelo segundo dia consecutivo, e fechou cotado a R$ 2,328, com avanço de 1,48% em relação à taxa de encerramento dos negócios ontem. Na BM&F, o dólar negociado à vista subiu 1,33% e terminou a sessão a R$ 2,3265.

O fluxo cambial foi negativo e ajudou a pressionar as cotações, apesar de ter sido registrada uma entrada de recursos estimada em cerca de US$ 600 milhões, disse um operador de um banco estrangeiro.

Do lado externo, a recuperação momentânea dos preços do petróleo e de outras matérias-primas no início da tarde não foi suficiente para uma melhora consistente das bolsas norte-americanas e o dólar manteve os ganhos em relação ao euro, à libra e ao iene, entre outras moedas. Diante de um cenário econômico global deprimente, os investidores domésticos voltaram a defender a apostar na alta da moeda no mercado futuro, o que também amparou as cotações no mercado à vista.

Com isso, o volume de negócios melhorou. O giro total à vista cresceu 89% ante o da véspera, para cerca de US$ 3,608 bilhões.

A valorização da divisa americana ante o real chegou a diminuir no início da tarde, para 0,09%, a R$ 2,296. Essa desaceleração pontual refletiu em parte um alívio na liquidez, após o BC vender US$ 500 milhões para recompra futura no mercado no fim da manhã. Além disso, teria ocorrido um movimento especulativo no mercado futuro.

Passado esse efeito, a moeda à vista recuperou os ganhos. A resistência das cotações acima dos R$ 2,30, a retomada da queda do petróleo e provavelmente algum fluxo negativo pontual levaram o Banco Central a fazer um outro leilão, desta vez de venda direta de moeda. "O BC deve ter identificado algum fluxo negativo pontual", disse o operador de câmbio José Roberto Carreira, da Fair Corretora. Nessa operação, a autoridade monetária pode ter vendido cerca de US$ 300 milhões, estimou um profissional de tesouraria de uma instituição local. A taxa de corte foi de R$ 2,3038, inferior ao preço do dólar comercial no momento do leilão, de R$ 2,3080.

Na operação de venda com recompra futura, realizada no início da tarde, o BC vendeu US$ 500 milhões, que serão recomprados pela autoridade monetária no vencimento mais longo, em 4 de maio de 2009. Foram aceitas três propostas. A moeda foi vendida aos bancos por R$ 2,3270 e a taxa máxima de recompra ficou em R$ 2,394868. A liquidação da venda acontece nesta quinta-feira. Não foram aceitas propostas para a recompra dos dólares nos vencimentos mais curtos, em 2 de março de 2009 e 1º de abril de 2009. E, para amanhã, o BC já anunciou outro leilão voltado a exportadores. Neste caso, o Banco Central oferecerá até US$ 1,5 bilhão destinados ao crédito à exportação.

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