O dólar comercial subiu e fechou negociado hoje a R$ 1,918 no mercado interbancário de câmbio, alta de 0,84% no dia, acompanhando a alta da moeda no exterior. O volume de negócios no câmbio doméstico, porém, continua prejudicado pelo enxugamento das linhas de financiamento à exportação, bem como pela espera dos desdobramentos relacionados à votação do plano de resgate ao setor financeiro nos Estados Unidos.

Na taxa máxima desta quarta-feira, o dólar comercial foi negociado a R$ 1,943; na mínima, ficou em R$ 1,903. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), nos contratos de liquidação à vista, o dólar fechou a R$ 1,9245, alta de 1,08%. De acordo com informações do mercado, o giro financeiro somava US$ 1,3 bilhão às 16h40.

A atenção dos investidores está voltada para depois do pôr-do-sol desta quarta-feira, quando termina o feriado de Rosh Hashanah (Ano Novo judaico) e o Senado dos EUA deve votar a versão modificada do pacote de socorro aos bancos. A previsão é de que a votação ocorra após as 20h30 (horário de Brasília). A Casa Branca considera que as mudanças feitas no plano, depois de sua rejeição pela Câmara dos Representantes, aumentaram as chances de aprovação, não só pelo Senado, hoje, mas também em nova votação da Câmara.

"O mercado está em 'stand by'", resume o chefe da mesa de câmbio da corretora Ativa, Marcelo Porto. Na visão do profissional, ainda existe uma incerteza muito grande em relação à aprovação - ou não - do plano nos Estados Unidos, o que deixa as operações de câmbio em ritmo de espera. "Na quinta-feira anterior à votação do plano na Câmara (dia 29), muitos venderam dólar apostando que o pacote seria aprovado - o que não aconteceu. Desse modo, mesmo com a aprovação quase tida como certa no Senado, o investidor prefere aguardar", acrescentou.

O Banco Central informou hoje que as quatro primeiras semanas de setembro (até o dia 26) tiveram fluxo cambial positivo de US$ 2,749 bilhões - resultado da diferença entre o fluxo positivo de US$ 6,256 bilhões do setor comercial e as saídas líquidas de US$ 3,507 bilhões da área financeira.

Os dados do BC referendaram a percepção de um enxugamento das linhas de financiamento a exportadores. As informações divulgadas hoje mostram forte redução do volume de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) após o fim de semana de derrocada do banco de investimentos americano Lehman Brothers. A média diária de contratos desse tipo fechados nas duas semanas seguintes à piora da crise foi 51,7% menor que a registrada na primeira quinzena do mês - a média diária de contratos de ACC entre 15 e 26 de setembro foi de US$ 164,9 milhões.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por sua vez, informou que a balança comercial de setembro fechou com um superávit de US$ 2,762 bilhões, com exportações de US$ 20,025 bilhões e importações de US$ 17,263 bilhões. No ano, o superávit comercial atinge US$ 19,656 bilhões.

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