O mercado de câmbio doméstico começou a semana com o dólar perdendo valor em relação ao real, alinhado à trajetória da moeda americana em relação a outras divisas, como o euro e o iene. O dólar está enfraquecido pelo plano do governo americano de ficar com os títulos podres do bancos, o que pode custar US$ 700 bilhões.

Analistas consideram que isso pode ser um golpe considerável à economia dos EUA. A alta do preço de matérias-primas (commodities) também influencia as operações cambiais.

No fechamento dos negócios hoje no mercado interbancário de câmbio, o dólar comercial registrou baixa de 2,08% a R$ 1,793 - de R$ 1,79 na taxa mínima do dia (-2,24%) e R$ 1,806 na taxa máxima (-1,37%). No pregão da BM&F, o dólar à vista caiu 2%, para R$ 1,7925. De acordo com informações do mercado, o volume de negócios somava US$ 1,536 bilhão por volta das 16h30. O euro foi negociado a R$ 2,662, alta de 0,41%.

No sábado, o governo americano enviou a lideranças republicanas e democratas no Congresso dos EUA projeto que representa o maior resgate financeiro dos EUA desde a Grande Depressão dos anos 30. O texto pede autorização para que o Tesouro americano possa recomprar hipotecas e títulos podres ao longo dos próximos dois anos. Também prevê o aumento do limite de endividamento do setor público de US$ 10,6 trilhões para US$ 11,3 trilhões, mas não detalha o que o governo obterá em troca das instituições financeiras.

Nesta segunda-feira, o Wall Street Journal informou que os parlamentares democratas querem acrescentar cláusulas ao pacote, como limites às compensações para os executivos e uma cláusula que permitirá que o governo tome ações de qualquer instituição financeira que aderir ao programa. O governo quer evitar que os parlamentares incluam grandes mudanças, para que estas não atrasem a aprovação do pacote.

Diante dessa análise, o dólar perdeu força perante o euro e o iene, o que acabou sendo reproduzido nas operações locais, onde a sessão foi marcada por liquidez menor nos negócios. No exterior, o euro era negociado a US$ 1,4850, de US$ 1,4480 no final da sexta-feira. Na comparação com o iene, o dólar cedia a 105,23 ienes, de 107,25 ienes na sexta-feira.

Outro componente avaliado pelos investidores do mercado de moedas foi o movimento ascendente das commodities. O petróleo, por exemplo, encerrou em alta de 15,66%, a US$ 120,92, na Bolsa Mercantil de Nova York, considerando o contrato de outubro, que venceu hoje. As commodities metálicas e agrícolas também registraram elevação nesta segunda-feira.

De volta ao mercado brasileiro, a sessão desta segunda-feira não contou com a participação do Banco Central por meio de leilões no mercado à vista de câmbio. Nem na ponta de compra nem na ponta de venda.

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