Após recuar mais de 5% no mês até ontem, o dólar no mercado à vista subiu hoje, em meio a um volume reduzido de negócios. O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,71%, a R$ 2,264.

Na BM&F, o dólar negociado à vista subiu 0,62%, a R$ 2,262. Contudo, no mês, o dólar comercial ainda apura queda de 4,51% e, no ano, baixa de 3,04%. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 1,717 bilhão.

A ampliação da alta da moeda no mercado doméstico à tarde refletiu ajustes de posições compradas, estimulados pela piora das bolsas norte-americanas. As declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, no início da tarde, sinalizando que o Fed já está pensando em estratégias de saída dos mercados de crédito, causaram desconforto entre investidores, disse um operador de um banco estrangeiro consultado. Bernanke afirmou que "não queremos ficar nos mercados de crédito para sempre", disse em resposta a questões, após seu discurso na convenção nacional da Comunidade de Bancos Independentes dos EUA, em Phoenix (Arizona). Segundo ele, o apoio do Fed aos mercados de crédito será reduzido quando a economia e o setor de moradia começarem a se recuperar, de acordo com informações da agência Dow Jones.

"Bernanke não deixou claro quando será o momento exato dessa saída do Fed do mercado, não disse o que realmente ele quer dizer nem o que de fato está passando pela cabeça do governo", disse a fonte. Por isso, os investidores reduziram posições em ações nas bolsas e ampliaram as compras de dólar, afirmou.

No exterior, o dólar ainda sustenta-se no positivo nesta tarde, após recuar esta semana para o menor nível em 10 semanas ante o euro, em reação ao anúncio do Federal Reserve na quarta-feira de que pretende comprar US$ 300 bilhões em bônus do Tesouro dos EUA e US$ 750 bilhões em títulos atrelados a hipotecas. Segundo analistas, essas medidas elevaram momentaneamente o apetite por risco nos mercados, o que se reverteu hoje. Analistas disseram que essas medidas podem contribuir para o recuo dos juros de longo prazo nos Estados Unidos, embora elevem os riscos de inflação no futuro.

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