Preocupações com o declínio da demanda, em meio à desaceleração da economia dos países desenvolvidos, derrubaram os preços dos metais básicos e do petróleo e afetaram em cheio o dólar hoje no mercado cambial brasileiro. Segundo operadores, parte dos investidores estrangeiros, que bateram forte nas ações na bolsa paulista, comprou dólares para remessas ao exterior, amparando o ajuste das cotações durante quase toda a sessão.

No finalzinho dos negócios, o dólar devolveu os ganhos e voltou à estabilidade para, em seguida, subir novamente.

"Esse movimento não refletiu um fluxo cambial favorável, mas resultou do registro no final da sessão de lotes maiores de moeda por tesourarias que teriam a finalidade de conduzir o fechamento para a cotação desejada. Isso já ocorreu na sexta-feira", disse um especialista. Outro profissional observou que "quem precisou comprar moeda tomou mais cedo, contudo parte do mercado não conseguiu sustentar a posição e as cotações fraquejaram no final".

O dólar comercial subiu 0,06% e fechou cotado a R$ 1,563. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o dólar negociado à vista avançou 0,21%, para R$ 1,5624. Essas taxas continuam sendo as menores desde o fechamento da moeda desde 19 de janeiro de 1999, quando o dólar comercial encerrou o dia a R$ 1,558.

Durante a sessão, houve o tradicional fluxo comercial positivo de início de mês, mas as saídas financeiras pesaram mais sobre o comportamento das cotações. O Banco Central também ajudou ao absorver parte das ofertas de moeda à vista, comprando cerca de US$ 105 milhões em leilão no fim da manhã.

Passado o maior impacto dos ingressos de cerca de US$ 3,4 bilhões da venda de ativos da mineradora MMX à Anglo American, registrados na quinta e sexta-feira, o volume de negócios diminui. O giro financeiro total à vista caiu 54%, para cerca de US$ 3,692 bilhões.

No exterior, houve forte ajuste de posições em matérias-primas (commodities) antes das reuniões de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), amanhã, e do Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra, na quinta-feira. Analistas esperam manutenção das taxas de juro.

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