O acirramento da aversão ao risco no mercado internacional provocou debandada de investidores das bolsas e a busca de proteção em dólar, num movimento que amparou a valorização da divisa norte-americana ante o euro, a libra e moedas de países emergentes. No Brasil, os investidores se apegaram ao ambiente externo ruim para justificar um movimento especulativo com contratos futuros de dólar, o que deu suporte à valorização das cotações da moeda no mercado à vista pela segunda sessão consecutiva.

O dólar comercial terminou o dia em alta de 3,04%, cotado a R$ 2,443, maior valor desde 9 de dezembro de 2008 (quando terminou a R$ 2,472). Na máxima, durante a tarde, a moeda atingiu R$ 2,450 (+3,33%) e, na mínima, pela manhã, R$ 2,398 (+1,14%). Na BM&F, o dólar negociado à vista avançou 3,06%, para R$ 2,442. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 2,673 bilhões.

Segundo o operador Sidnei Nehme, da NGO Corretora, a pressão de alta sobre o dólar à vista refletiu especulações de investidores, especialmente estrangeiros. Esta avaliação foi compartilhada por operadores de câmbio de outras instituições locais e estrangeiras consultados pela Agência Estado .

Para Nehme, não há nenhum tipo de tensão cambial interna nem houve hoje fluxo negativo importante, por isso o Banco Central permanece ausente do mercado à vista de câmbio desde 4 de fevereiro. "O que está havendo é um movimento artificial de alta do dólar futuro e, por tabela, das cotações à vista, que atende a interesses de investidores comprados em dólar futuro (ou seja, que apostam na alta da moeda). Esses investidores estariam usando o ambiente externo ruim como pretexto para criar um ambiente favorável a eles para venda de moeda no curto prazo", afirmou.

Mais cedo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou que o País teve um superávit comercial em fevereiro de US$ 1,767 bilhão, resultado de exportações de US$ 9,588 bilhões menos importações de US$ 7,821 bilhões registradas no mês.

No exterior, a aversão ao risco foi realimentada por notícias ruins na Europa e EUA, principalmente sobre o setor financeiro. A notícia de que o governo norte-americano ajudará a gigante de seguros American International Group (AIG), por meio de uma injeção de US$ 30 bilhões em capital em troca de ações preferenciais, não trouxe nenhum alívio hoje, após o anúncio da AIG de uma perda líquida de US$ 61,66 bilhões no quarto trimestre de 2008 - o pior resultado trimestral da história corporativa dos EUA. Convém destacar que o mercado de moeda já abriu pressionado e com o dólar em alta por causa da decisão dos líderes da União Europeia, no fim de semana, de não coordenar um resgate para as economias do Centro e Leste Europeu.

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