O dólar comercial abriu em forte alta hoje, de 5,66%, cotado a R$ 2,443 no mercado interbancário de câmbio e, instantes após, ampliava a alta para 5,97%, a R$ 2,45, na taxa máxima do dia até as 10h20 (de Brasília). Ontem, a moeda americana disparou 5,09% e fechou a R$ 2,312, no valor mais alto desde 31 de maio de 2006.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista era negociado em forte alta de 7,27%, a R$ 2,48, após abertura em forte alta, de 5,9%, a R$ 2,4485.

Pouco antes da abertura dos negócios no mercado interbancário, o Banco Central anunciou, esta manhã, mais um leilão de venda de dólares no mercado à vista, que será realizado até as 10h23 (de Brasília). Segundo a autoridade monetária, a operação não tem compromisso de compra futura.

O mundo amanhece com juros globais mais baixos. Uma ação coordenada dos principais bancos centrais do mundo aconteceu esta manhã, com um corte nas taxas das respectivas economias. A lista engloba os BCs dos Estados Unidos, China, Inglaterra, Europa, Suíça, Canadá, Suécia. Japão e Rússia pronunciaram-se elogiando a medida e sinalizando que em seus respectivas países os juros devem ficar como estão, pelo menos por enquanto.

A reação dos mercados à ação foi intensa, mas ainda não há uma definição de rumo. As bolsas internacionais já subiram, desceram e voltaram a recuperar-se sem encontrar direção única. No mercado de moedas, o dólar perde fôlego.

Por aqui, a lógica seria a moeda americana também ceder ante o real. Até porque, o Banco Central brasileiro continua atuante e anunciou para hoje mais um leilão de swap cambial. Porém, no rastro da crise internacional, o mercado doméstico de câmbio tem mostrado um nervosismo alimentado por particularidades internas e que se revela mais intenso do que previsto. Empresas e bancos que ficaram vendidos em dólar e alavancados durante todo o tempo em que o real só subia procuram zerar posições e o que tem se visto nos últimos pregões é um mercado bastante especulativo.

Simultaneamente, faltam linhas para exportadores, o que rareia o mercado primário de dólar e, portanto, a oferta de recursos que poderia ajudar o BC a amenizar essa pressão da zeragem. Assim, é provável que o dólar aqui se descole do comportamento da moeda americana lá fora e continue subindo.

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