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Preocupações sobre o impacto da crise financeira no consumo global minaram o ânimo nos mercados e deram fôlego hoje à demanda por dólares. Os investidores reduziram fortemente posições em ações e commodities (matérias-primas), cujos preços desabaram pelo mundo todo diante da perspectiva de diminuição da demanda por matérias-primas, e buscaram refúgio na moeda americana.

A fuga de investidores, principalmente de estrangeiros, das ações levou a Bovespa a cair 10% à tarde e interromper os negócios por meia hora - no retorno do pregão, caiu quase 15%. Essa piora, em sintonia com o deteriorado ambiente externo por causa de balanços fracos divulgados hoje e pelo temor de uma recessão mundial, empurrou o dólar para o alto em relação ao real.

Por isso, mesmo após o Banco Central vender US$ 1 bilhão com compromisso de recompra e mais US$ 1,282 bilhão em contratos de swap cambial (operação em que o BC assume posição vendedora em câmbio), o dólar não parou de subir. Nas máximas do dia, à tarde, o dólar comercial subiu 4,28%, a R$ 2,192. No fechamento, após cair mais de 9% nas duas sessões anteriores, subiu 3%, a R$ 2,165. Na BM&F, o dólar negociado à vista avançou 3,39% e encerrou cotado a R$ 2,163. Prevendo eventual pressão adicional no mercado, o BC já anunciou para amanhã outro leilão de venda de até US$ 1 bilhão com recompra.

O pessimismo do mercado foi realimentado hoje por novos indicadores negativos dos EUA. As vendas no varejo, por exemplo, caíram 1,2% em setembro ante agosto nos EUA, registrando a terceira queda consecutiva e o maior declínio desde agosto de 2005, de acordo com o Departamento de Comércio.

O Livro Bege, sumário das condições econômicas dos EUA preparado pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), colaborou para o mal-estar geral ao relatar que os problemas nos mercados financeiros globais se intensificaram em setembro e a atividade econômica sofreu um enfraquecimento em todos os 12 distritos do Fed. Segundo o documento, todas as regiões dos EUA se tornaram mais pessimistas quanto à perspectiva da economia; a maioria dos distritos relatou desaceleração na atividade industrial e redução dos gastos dos consumidores.

Em discurso no Economic Club of New York, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, não foi capaz de trazer alívio aos negócios. Na verdade, Bernanke sinalizou que a desaceleração da economia americana pode ser longa e que a "política monetária tem seus limites".

As principais bolsas asiáticas, européias, norte-americanas e a brasileira terminaram em fortes baixas, com o temor dos investidores voltados agora para a economia real. O G-8, grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia, informou hoje que vai se reunir em breve e que os líderes dos países membros estão "unidos no compromisso de arcar com nossa responsabilidade" na resolução da crise financeira mundial. "Nós vamos enfrentar os desafios presentes e fazer nossas economias voltarem à estabilidade e prosperidade", diz nota do G-8.

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