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O dólar no mercado à vista operou em alta o dia todo, mas reduziu os ganhos na última hora de negócios, reagindo à inversão de sinal para queda da moeda americana em relação ao euro à tarde em meio à ligeira melhora das bolsas norte-americanas. A venda pelo Banco Central de cerca de US$ 150 milhões em leilão no fim da sessão também favoreceu a desaceleração das cotações à vista, segundo a operadora de câmbio Roseli Braga, da SLW Corretora.

O dólar comercial fechou em alta de 0,43%, a R$ 2,325. Na BM&F, o dólar negociado à vista subiu 0,26%, para R$ 2,323. O giro financeiro total somou cerca de US$ 2,180 bilhões.

Na máxima do dia, o dólar comercial atingiu R$ 2,368 (alta de 2,29%), pressionado por saídas financeiras, a valorização externa da divisa norte-americana no mercado de moedas e o déficit da balança comercial no País em janeiro, de US$ 518 milhões. Este foi o primeiro resultado negativo mensal da balança comercial brasileira desde março de 2001, quando o déficit somou US$ 274 milhões. Em 21 dias úteis do mês passado, as exportações somaram US$ 9,788 bilhões e as importações, US$ 10,306 bilhões.

A cotação mínima de R$ 2,317 foi registrada às 15h43, após o leilão do BC e quando os índices acionários Nasdaq e S&P500 pisaram momentaneamente em terreno positivo em Nova York. No único leilão desta segunda-feira, a taxa de corte ficou em R$ 2,325. Como o ensaio de recuperação das bolsas em Nova York não se sustentou, o dólar à vista subiu novamente, mas não com a firmeza do começo do dia.

No exterior, o dólar perdeu força em relação ao euro à tarde, em sintonia com a discreta melhora das bolsas internacionais. Antes disso, porém, o euro sofreu pressão de baixa em meio à aversão ao risco provocada pelo rebaixamento pela agência de classificação Moody's da nota (rating) de crédito a longo prazo do Barclays e a preocupação com os planos do "banco ruim" da Alemanha.

O recuo do dólar no exterior à tarde refletiu o cenário de incertezas sobre a economia americana. O mercado aguarda a votação no Senado americano da plano de estímulo à economia, já aprovado pela Câmara dos Representantes, que poderá totalizar mais de US$ 900 bilhões. As negociações em torno da criação do "banco ruim" prosseguem e, hoje, o Wall Street Journal informou que o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, fará um discurso na próxima semana no qual ele vai apresentar os planos de socorro financeiro da administração do presidente Barack Obama. O plano deve incluir um esforço para ajudar os proprietários de casa sob risco de ter sua hipoteca executada, assim como medidas adicionais para reforçar o setor financeiro. Às 17h19 (de Brasília), o euro subia a US$ 1,2859, de US$ 1,2826 na sexta-feira.