O dólar comercial abriu em baixa de 0,41% hoje, negociado a R$ 1,715 no mercado interbancário de câmbio. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar com liquidação à vista abriu em queda de 0,60%, a R$ 1,713.

A preocupação do governo brasileiro com a taxa de câmbio é tamanha que vai chegar ao G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo). O grupo inicia hoje um encontro na Escócia e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem em Londres que o Brasil levará a questão cambial para as discussões.

Segundo Mantega, "temos um desequilíbrio cambial porque os países têm comportamentos diferenciados em relação ao câmbio". A proposta do Brasil é de que todos os países adotem o mesmo sistema e que a escolha seja pela política de câmbio flutuante. De acordo com o diagnóstico da Fazenda, o cenário atual internacional de câmbio misto está prejudicando os países mais sólidos, como o Brasil, que oferecem maiores rendimentos aos capitais internacionais.

E é por causa dessas consecutivas demonstrações públicas de preocupação com a sobrevalorização do real que os investidores devem continuar sustentando a cotação do dólar acima de R$ 1,70 no Brasil. "As discussões sobre medidas cambiais continuam e o mercado acompanha com curiosidade. A cotação da moeda norte-americana está se aproximando novamente de R$ 1,70 e a perspectiva é de que, se isso continuar, outra medida cambial será tomada. Por causa dessa avaliação, se o dólar encostar em R$ 1,70 o mercado deve comprar, esperando medidas novas", disse um operador, acrescentando que o recuo para perto dessa marca não está descartado para ocorrer ainda hoje.

Uma queda mais acentuada do dólar, hoje, no entanto, dependeria de um resultado melhor do que o esperado para o dado do mercado de trabalho nos Estados Unidos. Os dados devem ser divulgados às 11h30 e as estimativas são de que a queda do emprego nos Estados Unidos continue, mas em ritmo menor. Até que isso se confirme, ou não, a perspectiva é de que não haja grandes apostas no mercado doméstico de câmbio. As cotações do dólar ante o real devem oscilar perto da estabilidade.

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