O dólar comercial abriu em alta hoje, de 0,86%, cotado a R$ 2,12 no mercado interbancário de câmbio e, instantes após a abertura, ampliava a alta para 1,71%, a R$ 2,138, na taxa máxima do dia até as 10h20 (de Brasília). Ontem, a moeda americana fechou em baixa de 1,78%, a R$ 2,102.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista subia 3,25%, a R$ 2,16, na taxa máxima do dia até o momento, após abertura em alta de 1,96%, a R$ 2,133.

Como já temiam os especialistas, os dados da economia real posteriores ao arraso feito pelos mercados estão chegando e não são dos melhores. E há reação negativa, após dois dias de recuperação significativa nos preços dos ativos, como também já era previsto. No entanto, a perspectiva, pelo menos no mercado doméstico de câmbio, é que não se repitam os níveis de estresse visto nas últimas semanas, quando o temor era de uma quebradeira geral no sistema financeiro. Agora, o que pesa é a medição do tamanho da retração da atividade. É em cima desses fundamentos que devem se formar os novos preços.

Os balanços dos bancos e empresas dos Estados Unidos começam a sair mostrando recuo nos resultados. Os números revelam situação pior para o sistema financeiro do que para a economia real, como também já era estimado. Ainda assim não há motivos para comemoração. Por isso, os investidores optam pela cautela também de olho nos indicadores macroeconômicos, que devem voltar a pautar o rumo das transações.

Esta manhã, o Departamento de Comércio americano informou que
as vendas no varejo dos Estados Unidos caíram 1,2% em setembro ante agosto, registrando a terceira queda consecutiva e o maior declínio desde agosto de 2005. Já o Índice de Preços ao Produtor nos Estados Unidos (PPI, na sigla em inglês) registrou queda de 0,4% em setembro e alta de 8,7% na comparação com setembro do ano passado, segundo dados divulgados hoje pelo Departamento do Trabalho dos EUA. Por fim, a unidade distrital de Nova York do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) divulgou que o índice de atividade econômica na região caiu mais de 17 pontos em outubro, para a mínima recorde de -24,62.

Por aqui, o Banco Central realiza hoje dois leilões de dólar, um de swap cambial (US$ 2,2 bilhões) e outro de venda de dólares com recompra futuro (US$ 1 bilhão).

Além disso, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou que o governo brasileiro poderá socorrer - com empréstimos - empresas que enfrentarem problemas por terem especulado no mercado financeiro. Porém, ele avisou que isso será feito caso a caso.

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