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O dólar comercial abriu em alta de 0,18%, negociado a R$ 1,704 no mercado interbancário de câmbio. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar com liquidação à vista abriu em alta de 0,11%, a R$ 1,702.

As expectativas de que o governo pode tomar novas medidas para conter a valorização cambial continuam funcionando como trava para a queda do dólar e ajudam a confirmar o piso de R$ 1,70 criado pelo mercado desde que a taxa de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre entradas de capital estrangeiro para renda fixa e bolsa foi adotada em 20 de outubro. Apesar de ter caído por cinco sessões consecutivas e de ter ido à mínima de R$ 1,6988 no pregão de ontem, o dólar encerrou o dia de ontem retomando a marca de R$ 1,7002 na BM&F e de R$ 1,701 no mercado interbancário de câmbio.

Ontem à noite, fonte do Ministério da Fazenda reforçou essas perspectivas informando à Agência Estado que estão em estudo medidas para evitar que o mercado use de derivativos e operações estruturadas para driblar o pagamento do tributo. Além disso, fala-se em possível elevação da alíquota. Com isso, a perspectiva do mercado é de que a cotação do dólar, hoje tenha pequena alta, no sentido oposto ao que se via no mercado internacional. No exterior, o dólar sustentava pequenas perdas em relação à maioria das moedas.

Além de segurar a cotação, a avaliação de que o governo está atento ao câmbio e tentando achar formas de impedir a continuidade da valorização do real tem diminuído o volume de negócios. Ontem, já depois das 18 horas, a BM&F registrava cerca de US$ 1,798 bilhão negociado no mercado à vista. Esse volume, não raramente, é registrado somente na parte da manhã.

Tudo isso não quer dizer, no entanto, que o mercado consiga continuar sustentando por muito tempo a marca de R$ 1,70. Se o dólar despencar no exterior, ou houver um fluxo expressivo de entradas, a cotação cairá, segundo os operadores. A receita só está funcionando hoje porque o dia tem agenda fraca no exterior.

"A ideia de que haverá mais controle no mercado de câmbio pega no mercado. Esse tipo de informação está afetando o fluxo, mas isso ocorre no curto prazo", disse o gerente de operações da corretora Indusval, Alberto Félix de Oliveira Neto, defendendo que o governo pense em medidas de longo prazo, que permitam ao País conviver confortavelmente com um dólar mais baixo. "O Brasil atrai capitais e o dólar tem tendência internacional de queda, então as medidas devem ser no sentido de fazer com que o Brasil possa conviver com um dólar de R$ 1,50 ou R$ 1,60", disse.

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