SÃO PAULO - O mercado doméstico teve mais um pregão de tom positivo, com valorização no mercado acionário e recuo do preço do dólar e das taxas futuras de juros. Os agentes trabalharam o dia todo antecipando os efeitos positivos de um provável corte de juros nos Estados Unidos, confirmado posteriormente em 0,50 ponto percentual, para 1% ao ano.

O Ibovespa encerrou com alta de 4,37%, aos 34.845 pontos, com giro financeiro de R$ 4,966 bilhões. Em valorização a sessão toda, o índice alcançou a máxima de 35.765 pontos no fim da tarde. Na BM & F, o contrato de Ibovespa para dezembro subiu 4,71%, para 35.450 pontos. O Dow Jones caiu 0,82% e o Standard & Poor´s 500 cedeu 1,11%.

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,141 para a compra e R$ 2,143 para a venda, com baixa de 2,05% em relação ao pregão anterior. O giro interbancário foi mais significativo nesta jornada e somou US$ 4,710 bilhões, mesmo sem ofertas à vista por parte do Banco Central (BC). Desde segunda-feira, a moeda acumula queda de 7,91%, mas no mês a valorização ainda é de 12,55%.

A influência externa continuou determinante para a bolsa paulista, mas no quadro local outros fatores foram relevantes para a retomada das compras no mercado acionário. Além de preços muito atraentes, os agentes ficaram sensivelmente mais tranqüilos em relação à exposição das empresas em derivativos cambiais.

Nesta semana, os maiores bancos brasileiros vieram ao mercado informar se tinham exposição, de que tipo e de quanto era. Os bancos não só anunciaram lucros como também retiraram o temor dos investidores em relação ao comprometimento do sistema financeiro. Desde que o governo editou uma medida para autorizar compra de bancos privados por bancos públicos, os investidores passaram a temer problemas no sistema com algum grande banco.

"Acho que o quadro ainda está longe de ser considerado tranqüilo, mas os preços caíram muito e qualquer sinalização de melhora do ambiente estimula os investidores a refazerem posições", diz Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.

No quadro internacional, o comportamento de redução da taxa Libor dá uma medida de diminuição da aversão a risco e melhora do fluxo interbancário, que vinha sendo bloqueado pela incerteza e pelo empoçamento da liquidez . Segundo ele, a decisão do Federal Reserve (Fed) de cortar os juros dos EUA já era esperada e não tira o risco de novos tombos do mercado caso, por exemplo, o resultado do PIB surpreenda negativamente.

No segmento cambial, o BC continuou se mantendo afastado do mercado à vista dada a melhora no ambiente internacional. Analistas de mercado acreditam que os negócios caminham para a normalidade nos últimos dias, exigindo menos injeção de liquidez por parte da autoridade monetária.

Ontem a atuação do BC se resumiu a dois leilões consecutivos de swap cambial, com colocação de US$ 1,084 bilhão, em contratos com três vencimentos distintos em 2009. Para João Medeiros, diretor de câmbio da Pionner, as expectativas quanto à redução de juros no exterior também favorece a valorização do real em relação ao dólar.

Tal decisão pode devolver parte dos dólares de investidores que deixaram o país na última semana, graças a retornos maiores em países emergentes. Quando o corte do juro saiu, às 16h15, o câmbio já estava praticamente fechado, com queda de 2,19%.

Para os contratos de juros a baixa do dólar continuou favorecendo o ajuste de baixa. Os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram o pregão com queda em bloco das taxas. Os contratos de curto prazo se ajustaram de olho no aumento de apostas na estabilização do juro brasileiro.

Ao mesmo tempo, os contratos de vencimento longo contabilizam a melhora de humor internacional e a diminuição da tensão e da aversão a risco. Parte importante dessa recuperação do ânimo nos mercados internacionais veio da expectativa de corte de juros nos Estados Unidos, que acabou se confirmando.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 teve baixa de 0,33 ponto percentual, a 15,40% ao ano e o vencimento para janeiro de 2009, o mais líquido, encerrou com recuo de 0,08 ponto percentual, para 13,84% ao ano.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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