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SÃO PAULO - A moeda norte-americana registrou, hoje, a maior perda diária ante o real desde 24 de novembro e passa a acumular desvalorização de 5,4% na semana. Operando em baixa desde o começo dos negócios, no final do dia o dólar comercial valia R$ 2,343 na compra e R$ 2,345 na venda, queda 3,53%.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa teve desvalorização de 3,70%, fechando a R$ 2,34. O giro financeiro somou US$ 242,75 milhões.

Entre os agentes de mercado, são pelo menos três as explicações para a queda do dólar hoje. Uma delas é o fluxo positivo de recursos durante essa quarta-feira. Outra é a redução das apostas contra o real no mercado futuros. E, por fim, a de que a formação da taxa de câmbio estaria alinhada com o movimento observado no mercado externo.

De fato, os estrangeiros seguem desmontando suas posições compradas pelo terceiro pregão seguido, o que, na visão de alguns analistas, acaba influindo na formação do preço no mercado à vista.

Para o operador de mercados futuros da Terra Futuros, Daniel Negrisolo, a formação de preço da moeda vai em direção contrária ao mercado de commodities. O especialista lembra que o petróleo já subiu mais de 20% desde as mínimas, e outras moedas, como o euro e a libra, também ganham valor ante a moeda norte-americana.

Vale lembrar que tal movimento denota maior apetite por ativos reais, e foi isso que dominou o mercado cambial até o agravamento da crise externa em meados de novembro.

Ainda de acordo com o operador, as operações de "carry trade" voltaram a ficar atrativas com a captação a juros reais negativos em mercados desenvolvidos e aplicação do dinheiro em ativos mais rentáveis.

Alinhado a isso, Negrisolo lembra que o Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic estável em 13,25% ao ano na reunião de ontem, o que favorece as operações de carregamento de moeda por aqui.

Graficamente, o especialista aponta que se o dólar cair a R$ 2,25, ganha tendência técnica de baixa. "Se esse ponto for rompido, o mercado ensaia melhora mesmo com o cenário econômico negativo", resume.

Contribuindo para a queda no preço da moeda, o Banco Central voltou a vender dólar no mercado à vista. A atuação aconteceu à tarde levando o dólar que já operava em baixa a registrar as mínimas do dia.

O BC também efetuou o terceiro leilão para a rolagem dos contratos de swap que vencerão em 2 de janeiro de 2009. A operação de hoje teve baixa aceitação, com apenas 37% do lote de 69,5 mil contratos colocado, o que representa US$ 1,2 bilhão. Nas duas operações interiores, o BC rolou 127,44 mil contratos movimentando US$ 6,2 bilhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)