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Expectativas de criação do banco ruim para a compra de ativos tóxicos nos Estados Unidos no curto prazo e de que a perda de 598 mil postos de trabalho em janeiro no país poderá acelerar a aprovação do pacote de estímulo à economia no Congresso norte-americano motivaram o apetite por risco nos mercados nesta sexta-feira. Investidores compraram ações nas bolsas de valores pelo mundo todo e reduziram posições em dólar.

As cotações da divisa norte-americana caíram em relação às principais moedas europeias e de alguns países emergentes, como o real brasileiro, que registrou valorização ante o dólar pelo quarto dia seguido. Diante desse movimento, o Banco Central não realizou leilão de venda de moeda pelo terceiro dia seguido.

Ao fim da sessão, o dólar comercial caiu 1,75% e encerrou cotado a R$ 2,248, no menor valor desde 6 de janeiro (de R$ 2,180). Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista registrou a mesma variação negativa e fechou na mesma cotação verificada no mercado interbancário. Nesta primeira semana de fevereiro, o dólar comercial recuou 2,89%. Com um fluxo cambial pequeno e sem destaques, o giro financeiro total diminuiu 35%, para cerca de R$ 1 bilhão.

Segundo um operador, a moeda norte-americana tende a aproximar-se ainda mais dos R$ 2,00 no curto prazo, caso o pacote do presidente dos EUA, Barack Obama, para a recuperação econômica do país seja aprovado logo pelo Congresso e houver de fato, na próxima segunda-feira (dia 9), o anúncio de um novo resgate financeiro aos bancos pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner.

Contudo, convém lembrar que, após receber a aprovação do Senado, o plano de estímulo econômico será apreciado ainda por representantes da Câmara e do Senado dos EUA em audiências de conciliação, que vão definir um projeto de consenso das duas Casas. Só depois desse trâmite, o pacote consensual poderá ser enviado para sanção pelo presidente dos EUA. Obama reafirmou hoje a necessidade de pressa nessa tramitação uma vez que o informe sobre o nível de emprego no país em janeiro, que apontou corte de 598 mil vagas de trabalho, foi "devastador".