Tamanho do texto

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A alta do juro no Brasil e o maior otimismo com a possível ajuda financeira à Grécia derrubaram o dólar para o menor nível frente ao real desde janeiro, provocando uma reação do governo com dois leilões do Banco Central e novas ameaças de atuação do Tesouro.

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A alta do juro no Brasil e o maior otimismo com a possível ajuda financeira à Grécia derrubaram o dólar para o menor nível frente ao real desde janeiro, provocando uma reação do governo com dois leilões do Banco Central e novas ameaças de atuação do Tesouro.

O dólar caiu 1,20 por cento nesta quinta-feira, para 1,732 real. É a menor cotação de fechamento desde 8 de janeiro.

A moeda chegou a cair até 1,727 real, mas retornou ao patamar de 1,73 real após o BC realizar um segundo leilão de compra de dólares no mercado à vista perto de 15h.

O BC já havia realizado uma atuação dupla há duas semanas, também quando o dólar era cotado nas mínimas desde janeiro. Na ocasião, no entanto, os leilões conseguiram reverter a queda do dólar, que voltou a ser cotado acima de 1,75 real naquele dia.

A autoridade monetária tem comprado dólares de forma praticamente diária desde maio do ano passado com o objetivo oficial de acumular reservas e enxugar o excesso de moeda no mercado. As reservas já superam 246 bilhões de dólares.

Perto do final da sessão, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, declarou que o governo vai acelerar a compra de dólares para tentar conter as pressões de valorização do real causadas pelo aumento de juro no Brasil .

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 0,75 ponto percentual, para 9,50 por cento ao ano. A elevação foi apontada por vários profissionais de mercado como um dos principais motivos para a valorização do real, já que aumenta a atratividade de investimentos no Brasil em relação ao juro praticado em outros países.

Outro motivo indicado foi a melhora do ambiente internacional, com alta das bolsas de valores e ligeira recuperação do euro, diante de notícias que apontam para um desenrolar mais rápido do pacote de ajuda à Grécia.

Além disso, com a proximidade do fim do mês, aumenta a influência da rolagem de contratos futuros em vencimento.

Como muitos agentes estão vendidos na moeda norte-americana (em uma aposta na alta do real), especialmente estrangeiros, há uma pressão extra para a valorização da moeda brasileira.

Na quarta-feira, de acordo com dados da BM&FBovespa, os não-residentes tinham 3,626 bilhões de dólares em posições vendidas na divisa dos Estados Unidos nos mercados de dólar futuro e de cupom cambial.

O aumento da intervenção do governo pode ter efeito limitado no longo prazo, segundo analistas. Eles afirmam que as compras podem segurar a queda do dólar por algum tempo, mas perdem efeito com a continuidade do fluxo positivo para o país, como já aconteceu antes da crise financeira .

"Ou piora de vez lá fora, ou ele (governo) vai ter que brigar muito para segurar (a queda do dólar)", disse José Carlos Amado, operador da corretora Renascença.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.