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Dólar cai a R$ 1,627 após subir por quase todo o mês

Após ter subido em dez das 12 sessões deste mês, o dólar caiu com força hoje no mercado cambial brasileiro, reagindo ao persistente recuo da moeda ante o euro, com a divulgação de indicadores econômicos ruins nos Estados Unidos e a alta de matérias-primas, como o petróleo e os metais básicos. Esse cenário provocou um desmonte de apostas na alta do dólar feitas por investidores estrangeiros e locais no mercado futuro, o que conduziu as cotações no mercado à vista às mínimas do dia e também fortaleceu os volumes de negócios.

Agência Estado |

O fluxo cambial positivo ao País, com destaque para um ingresso financeiro de cerca de US$ 600 milhões de uma empresa do setor de energia e ofertas de exportadores no mercado à vista pela manhã teriam favorecido também o declínio da moeda, segundo operadores consultados. O dólar comercial cedeu 0,73% e fechou a R$ 1,627. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado à vista também encerrou o dia a R$ 1,627, em queda de 0,79%. O giro financeiro total à vista saltou 279%, para cerca de US$ 6,792 bilhões.

No mercado de dólar futuro da BM&F, os investidores ampliaram as apostas no declínio das cotações da moeda. ÀS 16h22, os sete vencimentos de dólar negociados projetaram taxas mais baixas. O dólar para setembro apontou recuo de 0,73%, a R$ 1,631.

Os investidores em geral reverteram as apostas contra o real no mercado futuro, estimulados pela queda externa do dólar ante o euro e a recuperação das commodities (matérias-primas), disse um operador de um banco estrangeiro. A disparada da inflação no atacado nos Estados Unidos em meio à desaceleração da atividade econômica em julho reforçaram o sentimento entre os participantes do mercado de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) tende a não alterar a taxa básica de juro e só deverá elevá-la quando o pior da crise financeira chegar ao fim, disse a fonte. Essa perspectiva pesou contra o dólar e estimulou a demanda por commodities.

Nos EUA, a alta de 8,9% do índice de preços ao produtor em julho, a maior elevação anual em quase 27 anos, e a retração de 11% no nível de novas construções no mês passado, ao menor nível desde 1991, reforçaram o sentimento de aversão a risco, afetando em cheio as bolsas e o dólar em meio à persistente inquietação dos investidores com o setor financeiro do país. O temor é com a possibilidade de a inflação acabar prejudicando o já fraco crescimento econômico nos EUA. E a subida das commodities tende a piorar as expectativas inflacionárias.

Ajudaram ainda a deteriorar o humor os alertas do ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Kenneth Rogoff de que um grande banco dos EUA ou banco de investimento poderá quebrar nos próximos meses.

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