Por Fabio Gehrke SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em forte queda nesta segunda-feira, seguindo a cautela mundial dos investidores frente à proposta do governo dos EUA de um plano de ajuda de 700 bilhões de dólares aos mercados.

A moeda norte-americana caiu 2,02 por cento, a 1,793 real.

Apesar da queda acumulada de 6,72 por cento nas duas últimas sessões, a divisa ainda acumula alta de quase 10 por cento em setembro.

O governo norte-americano propôs no fim de semana um pacote de socorro ao setor financeiro de 700 bilhões de dólares financiado por contribuintes e direcionado à compra de títulos podres vinculados a hipotecas.

'Apesar das medidas tomadas, principalmente pelo governo norte-americano, darem uma certa tranquilidade, elas não trazem nenhuma garantia', afirmou Sergio Falcão, consultor da SLW Corretora. 'O mercado está desconfiado.'

A cautela dos investidores pôde ser notada no baixo volume de negócios registrados nesta sessão. De acordo com os últimos dados atualizados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) minutos antes do fechamento do mercado cambial, o volume de negócios era de aproximadamente 1 bilhão de dólares, quando a média de setembro supera os 3 bilhões de dólares.

'E existe uma oferta de dólar em geral, os bancos centrais do mundo todo têm injetado dólar', completou o consultor. Nesta segunda-feira, os banco centrais do Japão, Europa e da Inglaterra anunciaram medidas para elevar a liquidez de seus mercados financeiros.

Frente a uma cesta com as principais moedas internacionais, o dólar perdia mais de 2 por cento.

'Primeiro temos a ausência de notícias negativas no mercado, e agora temos o plano de ajuda (do Fed) e a expectativas de leilões (de venda de dólares) do BC', afirmou Rodrigo Nassar, gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor Corretora, ressaltando que a tranquilidade internacional favorece a entrada de dólares no país.

Na sexta-feira, o Banco Central realizou dois leilões de venda de dólares compromissadas no valor somado de 500 milhões de dólares para combater a escassez de linhas de crédito na moeda estrangeira no mercado nacional.

(Edição de Vanessa Stelzer)

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