O dólar comercial abriu em baixa de 0,23% as negociações de hoje no mercado interbancário de câmbio, cotado a R$ 1,749, mas depois ficou estável, a R$ 1,753. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar com liquidação à vista abriu em alta de 0,11%, a R$ 1,7519.

O dólar comercial abriu em baixa de 0,23% as negociações de hoje no mercado interbancário de câmbio, cotado a R$ 1,749, mas depois ficou estável, a R$ 1,753. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar com liquidação à vista abriu em alta de 0,11%, a R$ 1,7519. Ontem, com dois leilões de compra do Banco Central no mercado à vista, o dólar voltou a superar a marca de R$ 1,75, fechando a R$ 1,753.

A expectativa por uma atuação mais agressiva do governo no mercado de câmbio - via BC ou Tesouro - era esperada desde que a moeda norte-americana deixou para trás o patamar de R$ 1,80 e foi se intensificando ainda mais à medida em que a cotação chegava perto de R$ 1,75. Mas esse piso psicológico foi rompido na quarta-feira e nada aconteceu. Assim, ontem, quando o dólar consolidava a quebra da marca de R$ 1,75 dando continuidade à queda e o BC fez o movimento no mercado, os operadores de câmbio se surpreenderam.

Parte desse espanto deve-se ao fato de que o mercado esperava que uma intervenção mais firme do governo no câmbio ocorresse via Tesouro. Mas nesse aspecto, até agora, nada foi identificado. E a posição do BC foi elogiada pelos operadores. "O BC está se antecipando à entrada mais expressiva de recursos de estrangeiros, que deve ocorrer com a alta do juro, devido à arbitragem. Está correto, pois assim evita uma mudança muito rápida nas cotações", diz o professor da Brazilian Business School, Ricardo Torres.

Ele acrescenta, no entanto, que isso não muda a trajetória da taxa de câmbio. Como já previa antes da ação do BC, Torres projeta que o dólar vá buscar o nível de R$ 1,70 no curto prazo. "O BC baliza o mercado, mas não controla", diz. A mesma opinião é compartilhada por José Carlos Amado da Corretora Renascença, que acrescenta, no entanto, a possibilidade de que o recado dado pelo BC diminua o ritmo da queda do dólar. "Não havia comprador e o BC mostrou que está disposto a comprar", avalia.

A importância de o mercado perceber um comprador atuante é também o ponto ressaltado por outra fonte, de um banco nacional. "A avaliação que temos é de que o BC ontem não comprou muito, mas demonstrou que está de olho e disposto a absorver os fluxos. Se o mercado estiver disposto a vender, ele está disposto a comprar", disse. Para esse profissional, criou-se a percepção, também, de que o BC não está confortável com a possibilidade de o dólar buscar R$ 1,70. "Com os leilões, o BC disse que não está preocupado só com a inflação, mas também com o câmbio", afirmou.

Perante a mudança de estratégia do BC, a avaliação do mercado é de que o dólar oscile perto da estabilidade na abertura de hoje. "Vamos observar se há fluxo e qual a posição que o BC tomará diante disso. Se ele vai atuar mais forte em um leilão, se fará dois ou, até, se acionará os derivativos", disse um operador.

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