O dólar superou a marca dos R$ 2,50 ontem e os especialistas dividem-se para a direção dos negócios hoje. Uns dizem que a tende a haver um ajuste das cotações para baixo, depois de seis pregões consecutivos de alta.

Outros acreditam que o ambiente externo negativo e a expectativa com a divulgação dos dados do mercado de trabalho dos EUA são munição suficiente para manter a valorização da moeda norte-americana, mais uma vez. A divisão sinaliza de que a única certeza é a continuidade da volatilidade.

O primeiro negócio de câmbio à vista fechado hoje no pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), por volta das 10h15, teve o dólar cotado a R$ 2,53, alta de 0,92% em relação à taxa de fechamento ontem (R$ 2,507). No mercado interbancário de câmbio, o dólar comercial abriu as negociações de hoje em alta de 0,36%, a R$ 2,528. Às 10h19, a cotação avançava 0,75% a R$ 2,538.

Os investidores já esperam resultados ruins nos dados de emprego dos Estados Unidos. Mesmo assim, se esse cenário se confirmar, haverá reação, segundo esperam os especialistas do mercado. Até porque, ontem houve diversas notícias ruins ao redor do globo sobre emprego. Estimativas feitas por agências internacionais chegaram a um total de 30 mil vagas perdidas.

O dado positivo do dia é interno. O IBGE anunciou a inflação medida pelo IPCA, que ficou em 0,36% em novembro, ante 0,45% em outubro. No ano, o IPCA acumula alta de 5,61% e em 12 meses, de 6,39%. Em novembro de 2007, a taxa havia sido de 0,38%. Isso pode aumentar as apostas de que a taxa Selic (juro básico da economia brasileira) possa voltar à trajetória de queda antes do previsto. Tecnicamente essa interpretação puxaria o dólar para cima. Mas nas condições atuais, o mercado tende a priorizar o fato de a inflação mais baixa representar melhora nos fundamentos da economia e, nesse caso, a reação das cotações do dólar seria de queda. A conferir.

O mercado deve também ficar de olho nas atitudes do Banco Central. Depois de suspender os leilões de contratos de swap cambial, aparentemente por entender que a necessidade desses instrumentos diminuiu e que alguns investidores tinham partido para a especulação com os contratos, ontem o BC voltou ao mercado. Ofereceu 10 mil contratos de swaps e o mercado absorveu 6.320 contratos. A diferença foi que o leilão ocorreu a partir das 17 horas. "O BC deu swap para quem precisava e não para quem queria especular no mercado", disse um especialista.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.