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O dólar disparou hoje, após a rejeição do pacote de ajuda aos bancos pela Câmara dos Estados Unidos. No mercado interbancário de câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 6,15%, a R$ 1,967.

A última vez que o dólar estava nesse nível foi em 5 de setembro de 2007, quando fechou a R$ 1,969. Na taxa máxima registrada hoje, chegou a ser negociado a R$ 1,975 e na taxa mínima, ficou em R$ 1,898. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado nos contratos de liquidação à vista subiu 6,16%, para a R$ 1,966. De acordo com informações do mercado, o volume de negócios somava US$ 4,7 bilhões por volta das 16h30.

Em razão da escalada nas cotações, a BM&FBovespa elevou o limite de oscilação máxima para o vencimento do dólar futuro de novembro para 8%. O novo percentual só foi válido para o pregão de hoje, voltando a ser de 5% a partir de amanhã. Para o vencimento de câmbio futuro de outubro de 2008, o limite de oscilação esteve liberado em razão da proximidade do final do mês, por causa da rolagem de posições. A disparada no dólar futuro chegou a travar as operações no mercado à vista. "Todo mundo ficou atônito", explicou o gerente da tesouraria de um banco em São Paulo.

"Os caras são loucos. Eles podem levar o mundo para a quebradeira". A avaliação, feita pelo sócio de uma corretora em resposta à rejeição dos parlamentares ao plano nos EUA, resume bem o nervosismo que se instalou entre os participantes do mercado financeiro brasileiro, alinhados à deterioração internacional. Em Wall Street, o Dow Jones despencou, e caía 5,90% às 17 horas. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o índice Bovespa chegou a cair 13,82%, mas próximo do fechamento, reduziu as perdas para 9,75% aos 45.833 pontos.

Na visão do economista-chefe da corretora Ativa S.A., Arthur Carvalho Filho, a não-aprovação do pacote nos EUA faz com que a aversão a risco aumente de forma significativa. "E o câmbio, que já estava mais sensível com a dependência dos fluxos da conta capital, entra em um novo patamar, dada a possibilidade de reversão dos fluxos", avaliou. Para o profissional, o sistema bancário norte-americano deverá passar por testes severos nos próximos dias, com risco de haver mais quebradeiras.

O Banco Central brasileiro não fez nenhuma intervenção direta no mercado de câmbio hoje. Mas realizou um leilão de swap cambial reverso para rolagem de contratos que vencem em 1º de outubro. O BC vendeu cerca de 25% ou 11.000 contratos de três vencimentos da oferta de 42.400 contratos, com quatro vencimentos. O valor financeiro da operação somou US$ 527 milhões, de um total de até US$ 2,02 bilhões ofertados.

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