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GENEBRA - Os 27 países da União Européia (UE) consideraram excessivas as demandas de flexibilidade do Brasil para proteger setores industriais, e pediram para o comissário de comércio, Peter Mandelson, arrancar abertura efetiva do país.

A França, na presidência rotativa da UE, organiza reuniões diárias dos negociadores europeus com os ministros europeus que estão em Genebra acompanhando as negociações.

Mandelson fez um relato, deixando claro que pressiona o Brasil, Índia, China, mas que a resistência é grande. A mensagem dos países foi de que a UE não deve aceitar apenas gestos de abertura, mas compromisso efetivo para exportar mais manufaturados.

A maior preocupação da UE, porém, é a Índia, considerada particularmente dura na negociação.

A Holanda e a Romênia mencionaram o Brasil e pediram para a UE combater a flexibilidade pedida para o Mercosul. O bloco quer proteger 16% das linhas tarifárias com cortes menores. A UE que oferecer o mínimo, entre 12% e 13%.

Os europeus reiteraram que sua prioridade nas atuais negociações em Genebra é mesmo a área industrial. Na agricultura, as questões que estão no centro da disputa, como salvaguarda de países ricos para frear importações, têm pouco interesse para a Europa.

Alemanha, Eslovênia e República Checa também sinalizaram que querem acordos setoriais, a exemplo dos EUA. A Alemanha demonstra especial interesse em acelerar o corte de tarifas para exportar mais automóveis.

Nestor Stancanelli, vice-secretário de comércio da Argentina, ao comentar as pressões dos países desenvolvidos, observou: Eles podem pedir o que quiserem. Nós também. E queremos que eliminem as tarifas e os subsídios agrícolas.

(Assis Moreira | Valor Econômico, especial para o Valor Online)