O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, alertou nesta quarta-feira que as discussões para tentar reativar as negociações de comércio multilateral da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), estão em um momento crítico, diante do impasse ao qual as negociações chegaram sobre os principais pontos da Rodada. Segundo o premiê britânico, se um acordo não for fechado nos próximos dias, levará muito tempo até que ocorra qualquer progresso.

"Há um momento de oportunidade, e o motivo pelo qual digo que esta é a última hora para salvar a rodada é que estamos em um momento crítico é que, após discutirmos por muitos anos e termos apresentado muitas propostas, se não formos bem-sucedidos nos próximos dias, ficará muito difícil imaginar as pessoas voltando rapidamente para a mesa de negociação para garantir o resultado que é necessário", afirmou.

Já o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, afirmou hoje que considera modesto o progresso obtido até agora nas discussões para tentar concluir a Rodada Doha. "O progresso feito até agora foi apenas modesto", disse ele, segundo o porta-voz Keith Rockwell.

Esta semana, os Estados Unidos e a União Européia (UE) propuseram, respectivamente, reduzir subsídios e tarifas agrícolas para tentar destravar a Rodada Doha, mas a reação das economias emergentes, como Brasil e Índia, foi fria.

Lançada em 2001, o encontro desta semana para discutir a Rodada Doha, em Genebra, representa uma tentativa crítica de garantir um acordo mundial de liberalização de comércio. Líderes vêm alertando que um acordo é particularmente necessário antes da eleição presidencial americana em novembro.

"A recompensa (de um acordo) é grande. Não significa apenas mandar um sinal de que o sentimento de protecionismo é inaceitável e de que estamos determinados a manter o comércio aberto mesmo durante as mais complicadas circunstâncias econômicas", disse Brown. "Isso também significa avançar em favor dos países em desenvolvimento que precisam de suporte da comunidade internacional para que possam usar seus recursos e habilitar seus povos para que se beneficiem das relações comerciais com o resto do mundo."

Cortes reais

O ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, jogou água fria nas tentativas dos Estados Unidos e da União Européia (UE) de destravar as negociações da Rodada Doha, afirmando que os países desenvolvidos precisam propor cortes "reais".

O ministro indiano também reprovou a oferta dos EUA de reduzir seus subsídios agrícolas anuais para US$ 15 bilhões, classificando-a de "totalmente inadequada". A proposta anterior de corte de subsídio dos EUA era de US$ 17 bilhões "A oferta não é proporcional aos preços atuais dos alimentos e ao que estamos esperando", disse ele. A proposta foi também criticada ontem pelo Brasil, que é parceiro da Índia na representação dos países emergentes.

O ministro indiano iniciou sua participação nas discussões apenas hoje e era ansiosamente esperado, já que a Índia é um país-chave nas negociações. Nath ressaltou que a responsabilidade do sucesso da Rodada Doha está nas mãos dos países desenvolvidos, que devem apresentar ofertas para reduzir tarifas e subsídios a fim de garantir que as discussões atinjam o objetivo de reduzir a pobreza nos países menos desenvolvidos. "Essa é uma rodada em que países desenvolvidos precisam colocar algo na mesa. Temos de falar em cortes reais", disse ele, acrescentando que as discussões não têm o propósito de "sustentar a prosperidade dos países desenvolvidos". As informações são da Dow Jones.

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