GENEBRA - O Brasil fará corte de 54% nas tarifas industriais consolidadas. A tarifa média realmente aplicada pelo país nas importações cairá de 11% para 9,8%. Este será o resultado da negociação na Organização Mundial do Comércio (OMC), se o acordo for confirmado nos próximos dias.

O Brasil escolheu já a opção no texto proposto na OMC, pelo qual prefere dispor de 14% de flexibilidade para proteger setores industriais sensíveis. Em contrapartida, fará um corte maior nos outros setores.

A proteção brasileira cobrirá 1.240 linhas tarifárias. Se desejar, o país poderá proteger 80% das 55 linhas tarifárias do setor automotivo.

Pelo que o Brasil escolheu, a tarifa sobre importação de automóveis, por exemplo, deve declinar de 35% para 24%.

Esta noite, a Anfavea deflagrou em Genebra o sinal de alerta, diante das pressões que persistem por parte da União Européia sobre o Brasil para aceitar acordos setoriais que eliminarão tarifas mais rapidamente em determinada área.

Pedro Bettencout, da GM e representante da Anfavea, declarou que o setor automotivo brasileiro está extremamente preocupado com a pressão da UE, especialmente vindo da parte da Alemanha, que tem duas empresas no país, a Volkswagem e a Mercedes.

Essas empresas estão passando por um momento vitorioso no Brasil, usufruindo do mercado em desenvolvimento, então é difícil entender por que baixar as tarifas que só prejudicarão as próprias empresas em proveito de companhias de outras regiões, afirmou Bettencout.

O representante da Anfavea insistiu que está inquieto com a pressão inclemente dos europeus. Eles querem setorial (em automotivo), mas não tem cabimento, reclamou.

Negociadores brasileiros disseram que o Brasil aceitou uma linguagem sobre negociação de acordos setoriais, sempre em bases voluntárias. Mas outras delegações notaram que o resultado prático é que os emergentes se submeteram a negociar voluntariamente obrigados.

(Assis Moreira | Valor Econômico especial para o Valor Online)

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