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DOHA: Brasil e Índia estão menos pessimistas sobre negociação

GENEBRA - O Brasil e a Índia consideraram hoje de manhã que o estado da negociação para salvar a Rodada Doha está razoável e melhorou, mas que há muito a fazer para alcançar um acordo para liberalização do comércio agrícola e industrial global.

Valor Online |

Crise? Qual crise? Não há crise nenhuma. As divergências estão como estavam, mas de ontem para hoje a situação até melhorou, reagiu o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, quando indagado por jornalistas sobre suposta denotação de crise na negociação, depois da oferta americana de cortar os subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões, bem além do que os países em desenvolvimento pedem.

Por sua vez, o ministro de Comércio da Índia, Kamal Nath, declarou-se otimista pelo fato de os EUA terem feito a oferta, mas alertou que claramente a proposta precisa limitar muito mais os subsídios para ser aceita.

Certos negociadores de países em desenvolvimento estimam que a redução de mais US$ 1 bilhão, derrubando o valor para US$ 14 bilhões, poderia tornar menos difícil um entendimento.

Amorim insistiu que a situação não é de crise - pelo menos não ainda.

Há muitos pontos de desacordos, mas só fazer uma reunião de sete horas e decidir continuar é demonstração de que não há crise nenhuma. A proposta americana é um movimento, é insuficiente, mas estamos em negociação, afirmou. Hoje está melhor do que ontem.

Amorim explicou que o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, resolveu mudar o formato da negociação justamente para tentar dar impulso às conversações. Ao invés de mais de 30 ministros na sala, agora só restam sete - dos Estados Unidos, União Européia, Brasil, Índia, China, Japão e Austrália, refletindo diferentes interesses na rodada.

Certas fontes consideram necessário continuar as negociações na semana que vem. Amorim acha, porém, que dá para decidir ainda esta semana se haverá acordo agrícola ou não. Para ele, depende das concessões dos países ricos.

De retorno da Índia, onde acompanhou o voto de confiança do Parlamento no governo, Kamal Nath discutiu com Amorim sobre a reação geral à oferta americana. Amorim observou que muitos países no fundo, no fundo não gostaram do número americano, mas disseram isso de modo tão acanhado que pareciam tê-la aceitado.

Assim, para os dois ministros, o Brasil e a Índia é que tinham de combater firme a oferta americana, hoje, no encontro restrito dos ministros.

Em entrevista, Kamal Nath disse ter voltado de Nova Delhi com vontade reforçada para negociar. Abordou a situação internacional, considerando que diante de uma crise econômica mundial - de alimentos, petróleo e finanças -, a responsabilidade de cada um país consiste a levar cada um ao sucesso.

Acrescentou: Estamos numa situação de urgência, e é de responsabilidade coletiva de todos os membros assegurar o avanço da Rodada, para que o conteúdo do desenvolvimento seja realmente realizado. Isso significa abertura das economias ricas para os produtos dos países em desenvolvimento, para corrigir os desequilíbrios estruturais do comércio.

Para a Índia, o que incomoda mais os investimentos nas agriculturas dos países em desenvolvimento são os subsídios, daí a importância de desmontá-los na atual negociação. Os países em desenvolvimento contam milhões de pobres agricultores, 650 milhões somente na Índia. Resultados que protejam agricultores vulneráveis, por salvaguardas, são extremamente importantes.

Pediu proteção na negociação industrial, principalmente para indústrias nascentes. E insistiu que a Índia tem muito interesse na abertura dos mercados ricos para seu setor de serviços.

(Assis Moreira | Valor Econômico, especial para o Valor Online)

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