O Banco Central (BC) anunciou no início da noite de ontem a manutenção do juro básico da economia, a Selic, em 8,75% ao ano. O comunicado distribuído após a decisão, porém, indica que a taxa deve subir em abril.

Três dos oito votos que decidem o rumo da Selic optaram pelo aumento de 0,50 ponto porcentual, o que levaria o juro para 9,25%.

A divisão de votos reforçou a opinião dos especialistas de que o BC vai iniciar um novo ciclo de alta dos juros. Pesquisas realizadas antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) - responsável no BC pela definição dos juros - mostravam que pouco mais da metade dos analistas apostava na manutenção da taxa em março. Essa foi a quinta reunião seguida em que o Copom decidiu manter os juros em 8,75%, menor nível da história.

Para os especialistas, o resultado da reunião deu uma indicação clara. "O voto dos três diretores pela alta da Selic mostra que a chance de aumento do juro em abril é praticamente de 100%", diz a economista da Icap Brasil, Inês Filipa, que espera aumento de 0,50 ponto no próximo mês.

Sazonalidade. O argumento pela manutenção do juro é que ainda é preciso aguardar novos indicadores, principalmente de inflação. Essa parcela do mercado lembra que, apesar da recuperação da economia no fim de 2009 e da forte reação do varejo, a inflação mais alta do início do ano é sazonal e pode desacelerar.

Esse é o mesmo argumento do Ministério da Fazenda, que trabalhou nos bastidores para adiar a alta do juro, considerada "inevitável" no curto prazo. O discurso da Fazenda cita que a recente alta dos depósitos compulsórios, a elevação do superávit primário, o fim das desonerações fiscais e a alta do juro futuro no mercado conseguirão desacelerar a economia, o que deve ajudar a segurar a inflação.

Já os defensores da alta imediata dos juros dizem que a inflação subiu mais do que o previsto e as expectativas para os preços este ano estão se deteriorando. Quanto mais cedo o BC elevar os juros para diminuir o ritmo da economia e reduzir a pressão dos preços melhor, dizem os analistas que esperavam a alta agora.

Eleições. A reunião de ontem pode ter sido a última com a participação do presidente do BC, Henrique Meirelles, que poderá deixar o cargo no fim do mês para disputar as eleições de outubro. Se isso acontecer, é provável que o diretor de Política Econômica, Mario Mesquita, também deixe o posto. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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